“Coronavoucher” vira “Coronarrisco”

Sinceramente, as autoridades econômicas deveriam seguir o exemplo das autoridades sanitárias, nesses tempos de pandemia e de caos social. Se governo federal, estaduais e municipais estão criando hospitais de campanha para atender às necessidades emergenciais, provocadas pelo coronavírus, o mesmo deveria ser feito para melhor atender a população, nesse momento de tanto sofrimento provocado pela impossibilidade de geração de renda. Instituições como Banco do Brasil e Caixa Econômica deveriam criar tendas de campanha, para melhor comportar a imensa demanda criada com o pagamento do auxílio emergencial, o chamado coronavoucher . Para o #OxeRecife, o coronavaucher virou o “coronarrisco”.

Só assim, talvez fosse amenizado o sofrimento das pessoas que já estão passando por momentos  tão difíceis, diante do problema financeiro gerado com isolamento social, e que prejudica mais aqueles que vivem na informalidade, que estão sem ter do que viver. No Recife, o  Prefeito Geraldo Júlio  (PSB) determinou ontem que as agências bancárias deveriam impor distanciamento (o recomendado é no mínimo um metro e meio) nas filas dos seus clientes. Mas não era isso o que se via hoje de manhã, na agência da CEF, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. E isso em um momento que decreto do Governador Paulo Câmara (PSB) impõe a dez pessoas o limite máximo para “aglomerações”.

As regras sobre distanciamento nas filas de agências bancárias não são cumpridas no Recife: “coronarisco”

Em uma situação em que parques e praias estão fechados, e que os supermercados reduzem o atendimento à metade da capacidade, como pode se admitir a situação que era vista hoje nas ruas? E as aglomerações estavam, também, no Banco do Brasil e em outros privados, como o Itaú. Em Casa Amarela, apenas o Bradesco usou o seu estacionamento para dar um conforto maior e impor distanciamento aos seus clientes: armou uma tenda no terreno, com cadeiras distantes uma das outras.

Nas demais, o caos era um só, embora o maior fosse na CEF. Exposta ao sol e à chuva, uma multidão se aglomerava pelo quarteirão a partir da Rua Padre Lemos e que ocupava calçadas de vias perpendiculares à principal (como as  ruas Soares Meireles e Sempre Viva). Eram pessoas de todas as idades, esperando encostadas nos muros e postes, sentadas no meio fio, algumas com máscaras porém muitas sem.  Fila preferencial? Nem pensar… Idoso era mato, até sentado no chão. Naquela populoso bairro, todos os serviços são sempre apinhados: casas lotéricas, bancos, correios, supermercados. É a tradição de Casa Amarela, um dos bairros mais populosos da cidade.

No caso da CEF, a demanda aumenta não só na Zona Norte como em outros bairros, já que  com o fechamento dos shopping-centers, as agências instaladas nos centros de compra não funcionam. Resultado: lotação exagerada nas agências de bairros. O caos. Como se isso não bastasse, não há acesso a caixas eletrônicos antes do horário previsto e aí… o resultado é o que se está vendo: filas quilométricas, o que constitui um grande risco, nesses tempos em que a pandemia impõe o isolamento social. Ou seja, o discurso é um. Mas na prática… Até perto de 9h, não havia um só funcionário nem guardas municipais nem Polícia Militar que, pelo menos, disciplinasse a população para manter o distanciamento regimental. Ufa………..

Veja, no vídeo, a situação da fila em Casa Amarela, Zona Norte do Recife

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Texto, fotos e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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