Corona: Ronda policial fiscaliza parques

Sinceramente, um final de semana sem  praia é duro de roer. Logo eu, que sou “viciada” desde pequena em sol e mar. Na infância, a temporada de veraneio era esperada o ano inteiro. Podia ocorrer em Piedade, em Olinda (a rua nem mais existe, o mar comeu), Rio Doce (que não era poluída), Itamaracá posteriormente. Fora do verão, costumávamos ir a Boa Viagem, sendo que o “ponto” era em frente à extinta Casa Navio, onde também baixavam colegas de trabalho do  meu pai com os respectivos filhos.

Naquele tempo, as praias ganhavam dos parques, em matéria de diversão, pois o mais frequentado hoje do Recife – o da Jaqueira –  mais parecia um quintalzão, não era aquela festa que é nos dias atuais, com pista de cooper, de bike, academias ao ar livre.  O Sítio Trindade, em Casa Amarela – onde residia quando criança – fazia jus ao nome. Era um sítio, onde a molecada da rua (eu inclusive), acorria para trelar,  colher frutos, ver um jacaré que lá existia em um laguinho. Tinha, também, uma legião de gansos. Era pura diversão. Lembrei do passado de praias e dos parques, hoje, quando dei uma saída rápida, e vi o retrato da desolação provocada pela necessidade de isolamento social, devido ao coronavírus.

Ronda contra o coronavírus: cinco veículos oficiais fiscalizavam fechamento de parques no Recife hoje.

O Parque da Jaqueira não tinha uma alma viva, a não ser o pessoal da manutenção. De longe, dava para ouvir o canto dos pássaros em meio ao silêncio da avenida, sem o barulho dos carros. No de Santana Ariano Suassuna – outro bastante frequentado – também estava um deserto, com os portões lacrados. E se não estivesse, ia ficar. Pois me deparei no sábado com frota de cinco veículos em ação. Tinha da Polícia Militar, da Guarda Municipal e até da Brigada Ambiental, fazendo ronda nos parques, para checar se estava tudo fechado.  Um homem filmava o “deserto” com celular, provavelmente para a equipe se reportar a alguma chefia da Prefeitura mostrando que  decreto oficial proibindo acesso a parques e praias estava sendo cumprido. E haja coronavírus!

Quando à minha casa, em Apipucos, cruzei com a ronda mais uma vez, ao passar pela Praça de Casa Forte. Decidi segui-la. Tinha até um carro policial da Brigada Maria da Penha na frota.  Bateu uma curiosidade: será que tem alguma mulher apanhando por aí?… Não, não havia. O grupo estava se dirigindo,  na verdade, ao Parque Apipucos, que fica defronte do Açude de Apipucos, vizinho ao Condomínio Reserva. Estava tudo OK, fechado. Mas nem precisava. Porque o Maximiano Campos – como o parque foi oficialmente batizado – é quase um parque fantasma. Nunca tem ninguém.

Enquanto o da Macaxeira – ali perto – é sempre cheio de gente de manhã, no final da tarde e à noite, o Maximiano tem dia que não tem uma só pessoa, à exceção da vigilância. Há ocasiões, quando passo lá em minha caminhada matinal, por volta das seis da manhã, que só se vê uma ou duas pessoas ali caminhando. Ou então ninguém. Em tempos de coronavírus, aí é que está parecendo um parque fantasma mesmo, com todo mundo em casa. Que jeito… Um dia, os parques vão virar novamente uma festa, mas duvido que isso aconteça com o Maximiano Campos, o mais fracassado de todos eles.  Mas a praia vai recompor sua muvuca e o sol voltará a brilhar. Que Deus nos ouça!

Apesar das medidas restritivas, o número de pessoas infectadas permanece crescendo em Pernambuco.  Agora, os casos confirmados somam 176, sendo 40 nas últimas 24 horas. Os óbitos já são 14. Portanto, não reclamemos de praias e parques fechados. O remédio é ficar em casa mesmo. Não há outra saída!

Veja o momento em que a ronda policial chegava ao Parque de Santana  Ariano Suassuna, na  Zona Norte:

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Texto, fotos e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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