Parem de derrubar árvores (237): Quarteirão “pelado” na Madalena

É cada dia maior o número de empreendimentos que sacrificam as árvores para abrir vagas para estacionamentos. No bairro do Rosarinho, por exemplo, já houve até caso de envenenamento lento e gradual, de uma frondosa mangueira, em cujo tronco era aplicado um líquido mortal com injeção. O arboricídio gerou clamor na cidade, e a empresa foi multada. No Recife, a legislação estabelece a proporção de uma árvore para o espaço a ser ocupado por quatro carros, em estacionamentos ao ar livre. Mas nem sempre isso ocorre.

O que se vê é o contrário. A Lei 18.328 de 5/7/2017 prega a obrigatoriedade “de plantar uma árvore a cada quatro vagas de estacionamento de veículos descobertas”. Está lá, muito claro, escrito no parágrafo 3 do artigo quarto daquela legislação. Ficam dispensados de atender aquele dispositivo apenas edificações que cumprirem a lei 18.112/2015 que dispõe sobre a construção de telhados verdes, aproveitamento de águas pluviais e outras providências ecológicas.

Moradores da Madalena reclamam de arboricídio no quarteirão: “Ao lado desse poste tinha uma árvore”

Os estacionamentos do Recife estão cada vez mais áridos. Há inclusive contrastes quanto ao cumprimento da lei em uma mesma via. É o que ocorre, por exemplo na Rua Deputado Pedro Pires Ferreira, nas Graças, onde há duas galerias comerciais. Uma, na esquina com a Avenida Rui Barbosa, eliminou todas as árvores. A outra, na esquina com a Rua do Futuro, tem estacionamento totalmente sombreado. Nesta semana, moradores do bairro da Madalena reclamaram da eliminação de árvores em todo um quarteirão, que vem sendo ocupado pela Loja dos Condomínios, perto do Mercado da Madalena.

Já houve até reclamação junto à Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade sem que nada fosse feito, para decepção de moradores dos prédios vizinhos. O #OxeRecife teve acesso número do protocolo, dando conta do arboricídio. De acordo com denúncias enviadas ao #OxeRecife, as árvores vão sumindo à medida que a loja vai ampliando as suas instalações. A fachada principal da loja dá a frente para a Rua Real da Torre. Fica no quarteirão formado por esta e mais as ruas Desembargador Luiz Salazar, Pessoa de Melo e Dom João de Souza, sendo esta a única ainda não ocupada por imóveis do estabelecimento. Nas outras, as plantas sumiram. “O estabelecimento cresce de vento em popa, e a derrubada das árvores do entorno também”, acusa um morador de um prédio vizinho, que pediu para não se identificar.

“O dono manda cortar com a serra elétrica e manda cimentar de imediato”, reclamou. Uma moradora acusou: “A loja foi eliminando as árvores ao longo dos anos, à medida que a empresa ia ampliando o negócio e comprando os imóveis vizinhos”, conta ela. “Hoje ocupa metade do quarteirão, e sumiram as árvores que existiam  nos jardins e nas calçadas”, conta ela. Conforme alguns moradores, houve árvores que foram guilhotinadas e eliminadas. Outras foram envenenadas pela raiz e foram erradicadas. Moradores reclamam que o poder público não protegeu as árvores como deveria. “O alvo do momento é essa daí”, afirma um morador, mostrando essa planta da foto, que foi mutilada. Breve, vocês saberão o que aconteceu depois com ela.

 

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
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