Coronavírus e a rede de solidariedade

Quando o Nordeste sofreu, no ano passado, o maior desastre ambiental de sua história, formou-se uma rede de solidariedade e de voluntários que deixaram limpas as praias. Foi todo mundo ajudando: do pescador a grandes empresas, que fizeram doações. E Pernambuco foi um bom exemplo, com milhares de pessoas que botaram as mãos na massa, removendo o óleo criminosamente derramado por um agente que até hoje as autoridades não conseguiram identificar.

Com a pandemia do coronavírus, várias redes de solidariedade vêm se formando para ajudar a população mais desassistida ou os profissionais de saúde, que estão no meio do fogo cruzado, muitas vezes sem os  necessários equipamentos de proteção. Em tempos de pandemia, é bom deixar de lado o capitalismo selvagem, aquele em que só o vil metal é o que interessa. Hoje são incontáveis os casos de  grandes empresas que têm feito doações milionárias para combater os efeitos do coronavírus, tanto através de doações de alimentos, de equipamentos hospitalares quanto de dinheiro.

Em Belo Jardim, o Grupo Moura decidiu adaptar parte de sua fábrica de baterias para a produção de máscaras para doação.

Não sei ainda qual as iniciativas das grandes redes de supermercado e farmácias, que constituem os setores que mais faturam neste momento de paralisação da economia. O #OxeRecife fez um apanhado de boas iniciativas  nesses tempos de pandemia, que  atinge a todos nós. O objetivo do Blog é para que outras  corporações se mirem em exemplos de solidariedade neste momento tão difícil porque passa a humanidade em geral, e os brasileiros, em particular. E, principalmente,para milhares de pessoas que vivem na informalidade no Recife, que estão em situação bem difícil.

Vejam só o caso de Ezen Marques, em mensagem enviada ao #OxeRecife. Ele é um dos milhares que estão prejudicados economicamente com a pandemia: “Sou comerciante informal. Usei toda minha economia e montei um comércio. E com duas semanas de funcionamento veio a ordem de fechar o estabelecimento. Não quero entrar em desespero, mas a preocupação bate a todo momento.

Confira alguns exemplos de solidariedade, praticado por grandes empresas ou instituições:

Grupo Moura – Adaptou uma área de sua indústria de baterias, em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, para produção de 100 mil máscaras faciais de proteção, que serão doadas a funcionários e seus familiares, colaboradores  e clientes.

Coaf – Doou quase 8 milhões de litros de álcool 70 graus para prefeituras da Zona da Mata e do Agreste de Pernambuco, instituições como Polícia Militar e Universidades. Fez parceria com empresa de envasamento para abastecer o mercado, devido à demanda provocada pelo coronavírus.

Fiat Crysler Automóveis – Deu início à montagem de um hospital de campanha em Goiana, onde fica a indústria automobilística, na Região Metropolitana do Recife. Posteriormente, o hospital  será transformado em estrutura permanente.  Também está recuperando respiradores  mecânicos.

Votorantim – Anunciou a doação de R$ 50 milhões para autoridades públicas, instituições de saúde e entidades privadas, para compra de kits para testes e respiradores, entre outros equipamentos. As operações terão apoio técnico da Beneficência Portuguesa de São Paulo. A empresa também anunciou que seus 300 projetos executados nas cinco regiões do Brasil, serão redirecionados, dentro de suas respectivas áreas de execução, para ter foco no combate ao Covid-19.

Banco Safra – Acaba de doar R$ 20 milhões para hospitais públicos e santas casas, para ampliação de leitos hospitalares, compras de equipamentos e insumos médicos. E está convidando clientes e parceiros a fazerem doações em torno da causa. Entre os alvos da doação encontram-se 60 leitos de UTI (cama,  respirador, etc) e aventais para profissionais de saúde.

PepsiCo – No mundo, doou mais de 500 mil produtos e 115 mil  refeições em várias partes do mundo. No Brasil, as doações chegam a 103 toneladas de produtos próprios, como aveia, achocolatado, biscoitos, tendo como alvo famílias em situação de vulnerabilidade social em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco.

Nestlé – Doou 500 toneladas de alimentos e bebidas para pessoas e animais de estimação, mas a operacionalização da entrega vem sendo discutida com instituições e governos. Também encaminhou 24 toneladas de alimentos para catadores da plataforma Cataki. Na quarta, informou que está doando 28 toneladas de complemento nutricional (Nutren Senior) para idosos e lares de permanência em São Paulo. Avaliada em R$ 4,6 milhões em preços de mercado, o carregamento servirá para dois meses.

Instituto Hidrovia – Braço social da Hidrovia Brasil Itaituba doou R$ 3,4 milhões em equipamentos hospitalares, garantindo assim, mais 200 leitos e outros equipamentos  para o Hospital Regional Tapajós (Pará).

Wolkswagen – Cedeu cem veículos para ajudar no combate aos efeitos do Covid-19. Os veículos estão rodando nos municípios de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), onde a indústria possui fábricas. Nessa quinta, anunciou parceria com Associação Brasileira de Distribuidores de Peças Wolkswagen para oferecer serviços a veículos da marca  que pertençam às Secretarias de Saúde de São Paulo e do Paraná. As peças serão fornecidas a preços de custo, e no benefício estão incluídos os cem automóveis cedidos pela empresa.

Granado – Doou 1.470 litros de sabonete líquido a cinco projetos voltados para crianças em situação de vulnerabilidade social do Rio de Janeiro, acolhidas em projetos ligados a iniciativas da Unicef.

BR Distribuidora – Informou que vai doar 20 mil litros de etanol a diversas universidades, para que estas produzam álcool 70 por cento, tão importante nesse momento de prevenção da pandemia do coronavírus.

eSolidar – Startup portuguesa com atuação no Brasil criou uma vaquinha solidária para levantar recursos para ajudar favelas brasileiras em tempos de coronavírus. Para tanto, fez uma parceria com o G10 Favelas e o Canal Transformador. O objetivo é arranjar dinheiro para ajudar no empreendedorismo, a moradores que perderam os empregos, na compra de alimentos e até para hospital de campanha. Seriam beneficiadas as maiores favelas brasileiras: Heliopólis e Paraisopólis (SP) e Rocinha (RJ)

Cetrus – Centro de Ensino Superior Especializado em Diagnóstico por Imagem está fabricando máquinas faciais protetoras usando impressora 3D, que serão doadas a instituições de saúde pública. Foi disponibilizado um vídeo na Internet, explicando como a máscara pode ser produzida. E solicita a quem tiver o equipamento: “Espalhe essa ideia”.

Senai – Desenvolve ação nacional para recuperar respiradores mecânicos que estavam “encostados” na rede pública devido a algum defeito. Eles estão sendo consertados e devolvidos às unidades de saúde em 25 pontos de atendimento no país.

Cacau Show – Juntamente com sua rede de franqueados, anunciou na sexta-feira (3/4) a doação de R$ 1,4 milhão em chocolates de todas as linhas da marca, para  hospitais, hemocentros, postos de saúde. E a partir de 6/4 distribuirá  300 mil ovos de Páscoa, para instituições de caridade, escolas públicas, empresas de serviços essenciais. A Cacau Show quer “adoçar a vida de quem está trabalhando ou em tratamento de saúde”.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Tom Cabral / Divulgação / Grupo Moura

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