Sessão Recife Nostalgia: Solar da Jaqueira e o encanto dos lambrequins

Hoje fiz caminhada por bairros próximos à ,  na minha residência, na Zona Norte do Recife. É o único direito que tenho me dado de colocar o pé na rua. Chego em casa, deixo os sapatos, roupas, tudo no quintal para desinfectar, nesses tempos de coronavírus. Depois, lavar as mãos, tomar banho, cumprindo o ritual para o vírus, que mais parece mais um buscapé, devido à velocidade com que  se propaga. Então, andar em grupos, para explorar o Recife, nem pensar. Ainda mais agora, que as aglomerações estão restritas a dez pessoas, de acordo com o decreto mais recente do Governador Paulo Câmara (PSB)no enfrentamento à pandemia.

Então, vamos fazer alguns passeios virtuais?  Já que ninguém pode mesmo sair de casaDe vez em quando, nesses períodos de pandemia, o #OxeRecife vai se referir a algum monumento, casarão, praça, árvore ou outro fato interessante da cidade, só para a gente se distrair um pouco, pensar em coisas boas, bonitas.  Quem quiser, pode até enviar colaboração. Uma foto, um texto, algo que queira divulgar, já que passeios, teatro, roteiros turísticos, cinema, estão todos suspensos. Hoje trago esse lindo chalé , para limpar nossa vista. Ele fica na Avenida Rui Barbosa. E a foto (acima) é de Emanoel Correia, do Grupo Bora Preservar do qual também faço parte. Emanoel faz postagens quase diárias sobre coisas da cidade, nas redes sociais de alguns grupos de caminhadas. Uma delas foi justamente sobre o lindo imóvel número 1654, daquela via que, felizmente, resiste bravamente a invasão de espigões nos bairros das Graças e Jaqueira.

A construção, segundo a pesquisa por ele efetuada, é de 1891. O belo Solar da Jaqueira  “teve como primeira dona Elvira Mendes Wanderley Jacques, filha do Barão Rodrigues Mendes”, lembra. Rodrigues Mendes foi um rico comerciante, que era dono da imponente casarão, em estilo neoclássico, onde funciona hoje Academia Pernambucana de Letras. O Jacques de Elvira vem do marido, Pedro Wanderley Jacques. Emanoel lembra que dos 81 casarões que existiam na hoje Avenida Rui Barbos só restam 14, sendo um deles exatamente o Solar, onde atualmente está instalada uma clínica geriátrica.

“O chalé tem como destaques azulejos portugueses na facha e em meia parede do terraço”, estruturas de ferro que sustentam o telhado e belos gradis, afirma.  Bonitos, também, são seus lambrequins. Estes, tenho observado, se são muito bem cuidados em casarões particulares antigos, estão sumindo de velhas construções onde funcionam repartições públicas. Por isso, o #OxeRecife vai voltar ao assunto, abordando esses tão graciosos elementos da arquitetura do passado. É isso, gente, sem condições de oferecer alguma opção de passeio (nem praia…)  nós estamos convidando o recifense e o leitor para esses passeios virtuais. Depois, tem mais. Um abraço, fiquem em casa. E saúde para todos.

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife (com Emanoel Correia)
Foto: Emanoel Correia / Bora Preservar / Cortesia

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