Parece coco, fruta-pão, mas é… coité

Indaguei a um amigo, mostrando essa foto aí de cima. “Que fruta é essa?” De imediato, ele respondeu: “Fruta-pão”. É, de longe até parece. Mas de perto, você observa que apesar da cor similar do fruto, textura externa é bem diferente.  A árvore que vi, no jardim de uma residência, na Praça de Casa Forte, não é alta. Mas os botânicos dizem que uma cabaceira como esta pode atingir até seis metros de altura. Originária da América Central, ela espalhou-se pelo Norte e Nordeste do Brasil, e é muito popular na região, onde seu fruto de casca dura e escura – quando maduro – serve até como utensílio doméstico, na forma de cuia.

Por esse motivo, a cabaceira também é chamada de árvore-de-cuia. Mas é conhecida, ainda, como cuité, cuitê, coité, calabaça, cujete, aurina (Crescentia cujete L). A planta se adapta bem ao clima tropical e sua madeira chega a apodrecer, quando a umidade é grande.  Entre os sertanejos, a farmacopeia popular indica várias propriedades da árvore: antiespamódica, antitetânica, emoliente, expectorante e até purgativa.

Ooriginária da América Central, a cabaceira ou coité, adaptou-se bem no Nordeste, onde seus frutos têm mil utilidades.

Cozidas, as sementes são muito consumidas, principalmente no interior, onde é reconhecido o seu valor proteico. As flores são grandes e hermafroditas. O fruto que – à distância – chega a ser confundido com fruta-pão, pode ter  20 centímetros de diâmetro. Ou até mais. Depois de seco, o fruto é muito utilizado nas feiras do interior do Nordeste., onde sua cuia serve como medida para porções de milho, feijão, farinha.

Chamam-no de cabaça e os feirantes a utilizam como cuia, para medir porções de milho, feijão, farinha. Os cangaceiros utilizavam a cabaça inteira, retirada apenas a parte superior, para guardar água, e andavam com ela amarrada na cintura. No artesanato, a cabaça vira peças decorativas, como bonecas, galinhas, jarros e outros utensílios. Sua madeira tem muita utilidade para fabricação de varais, carroças, selas e até instrumentos musicais. Entre estes, o  mais famoso é o berimbau, no qual a cabaça é utilizada como caixa de ressonância. Respeite a cabaceira. Respeite todas as árvores. Essa fica na esquina da Rua Visconde de Ouro Preto com a Praça de Casa Forte. Tudo que espero é que a motosserra insana não passe lá, porque – a dez metros de distância – há uma vítima de arboricídio.

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Texto e fotos: Letícia Lins

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