Inaldete Pinheiro ganha homenagem

Enfermeira, escritora, poeta, fundadora do Movimento Negro em Pernambuco e um dos principais baluartes do Recife na luta pelos direitos humanos e igualdade racial, Inaldete Pinheiro (na foto, de chapéu) é a homenageada na Agenda 2020 da Secretaria da Mulher no Recife. O lançamento da publicação foi nesta segunda-feira, em cerimônia que contou com a presença do Prefeito Geraldo Júlio (PSB) , da Secretária da Mulher do Recife, Cida Pedrosa, de autoridades e representantes de movimentos sociais.

Nascida na cidade de Parnamirim no Rio Grande do Norte, aos 20 anos mudou-se para o Recife, onde cursou Enfermagem e Mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco. Aqui também começou sua luta e desde então tem se dedicado ao resgate da herança afro-brasileira. Segundo a prefeitura, ela é responsável por títulos como O Ensino da História e das culturas africana e afro-brasileira, Cinco Cantigas para você contar, Baobás de Ipojuca, Racismo e Anti-Racismo na Literatura Infanto-Juvenil, entre outros. Em novembro, lançou o livro de poemas Travessias, em que, mais uma vez, aborda a questão racial.

A agenda traz informações úteis às usuárias sobre a rede de saúde e de enfrentamento à violência contra a mulher no Recife e no Estado. Para a Secretária da Mulher, Cida Pedrosa, o material é uma prestação de serviço para a população feminina. “A agenda tem função muito importante, traz em suas páginas informações relevantes para a sociedade, sobretudo a mulher, como a rede de atendimento àquelas em situação de violência”.

Cida destacou: “Mas essa agenda tem um gosto especial para mim, porque a homenageada é Inaldete Pinheiro. Uma mulher cujo nome se confunde com a luta da negritude e de mulheres negras em nossos país. Isso não é homenagem, é direito de Inaldete de ter seu nome estampado em nossa agenda. Neste 8 de Março, quando comemoramos o Dia Internacional da Mulher, nós queremos dizer que será um ano de luta e de garantias de conquista”.

Para Inaldete, ainda há muito que fazer. “Eu queria que essa luta já tivesse terminado, porque já faz tanto tempo. Muitos anos de escravização, continuamos ainda em um período muito cruel, principalmente para as mulheres negras, as mais pobres. A estatística está aí dizendo nosso lugar na sociedade brasileira, sempre os últimos lugares. E é por essa razão que nós continuamos na luta. Eu espero que não seja por muito tempo, mas é uma necessidade encabeçarmos essa luta”.

E concluiu: “O desejo principal é que um dia a gente descanse e viva com dignidade”.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Andréa Rego Barros / Divulgação / PCR

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