Circo, Galo, Frevo, festa e o “carai”

Esqueçam o brega, a mistura de ritmos que não têm muito – ou melhor, quase nada – a ver com o nosso carnaval. Lembrem-se do circo, o tema da decoração e também que norteia a edição de 2020 da festa mais popular do Recife: A criança, o circo e a cultura popular. Foi pura emoção, a abertura, na sexta-feira à noite, com integrantes do grupos que fazem o circo em Pernambuco. O próprio palco do Marco Zero – o mais importante da folia pernambucana – lembra um picadeiro, porém com tecnologia de sobra para remeter o circo mambembe de nossas infâncias ao século 21. L-I-N-D-O.

E olhem que nem sou de olhar muito o palco no carnaval, porque festa para mim é a que passa na rua. E no ontem, segui o Nem Sempre Lili Toca Flauta, mas cruzei com muitos outros nas ruas, que, felizmente capricharam no frevo. Destoando ao longo do percurso, apenas uma turma usando camisetas Porto Digital, na Rua do Apolo,  usando música eletrônica com som altíssimo, que abafava  até mesmo os trombones dos blocos e troças que passavam. Um absurdo! Deviam ter feito a festa em outro lugar. Antônio Nóbrega deu seu showzão, o recado político. Praticamente reforçou ao que se ouviu nos blocos pelos quais passei. Decididamente, no Recife, o refrão tem sido esse, de repúdio ao Presidente da República: “Ai, Ai, Ai, Bolsonaro é o ”carai”.  Foi assim no Escuta Levino e também no Sem Sempre Lili toca Flauta, e outros que eu vi batendo na mesma tecla.

O circo deu muita magia à abertura do carnaval do Recife, que teve Antônio Nóbrega como mestre e cerimônia. Show!

E hoje, gente, é Dia de Galo, aquele que já foi  considerado como o maior bloco de carnaval do mundo. Com a explosão de blocos em lugares onde antes eles quase não existiam – São Paulo, Belo Horizonte – e escalada meteórica deles no Rio de Janeiro, a gente nem sabe dizer mais qual seria o maior do Brasil atualmente. O Clube de Alegorias e Máscaras O Galo da Madrugada tem 43 anos, começou com um pequeno número de foliões mascarados. E saía de madrugada mesmo. Tinha gente que ia direto dos bailes e das farras noturnas para a concentração do grupo que crescia a cada ano, em um Recife onde o sábado de carnaval ainda era marcado pela monotonia.

O percurso do Galo tem início na Travessa do Forte – no Bairro de São José – e termina  na Rua do Imperador, onde há a dispersão, depois de fazer o cortejo por nada menos de  treze vias do Centro. Do alto dos trios elétricos do Galo,  41 atrações, entre elas seis de fora, como Fafá de Belém, Pablo Vitar, Marcelo Falcão, Elba Ramalho. Da terra do frevo, estrelas como Almir Roche, Maestro Spok, Maestro Forró, Quinteto Violado, Flor de Mandacaru, Turma do Pinguim, Nonô Germano.  Acho O Galo lindo, mas em se tratando de uma atração mundial – pois é mostrado para o mundo inteiro – já é tempo do bloco investir mais em seus carros alegóricos, para tornar ainda mais brilhante o seu desfile.

Quanto à alegoria, na Ponte Duarte Coelho, foi uma sacada legal do artista Leopoldo Nóbrega, dotá-la de luzes. Porque em 2019, passado o desfile, a estátua ficou o resto da festa totalmente às escuras. Breu incompatível com o símbolo maior do carnaval do Recife. Observei, em 2020, a montagem, no meio da ponte. E ontem à noite, gostei de ver o penoso iluminado. Mas, infelizmente,  as luzes só vão até a gola em volta do pescoço da alegoria. De dia, lindo! À noite, um galo degolado: tem rabo, corpo e flutua no ar. Porque os pés estão às escuras. Assim como a cabeça, a crista. Umas lâmpadazinhas a mais de led não fariam mal ao Galo! Conselho para 2021!

E vamos brincar! Lembrem-se: saindo do Galo, Nóis Sofre Mais Nóis Goza (concentração na Rua Sete de Setembro, a partir do meio dia). E em Olinda – para onde muita gente segue hoje fugindo da multidão do Galo –  há 30 atrações programadas, incluindo o desfile do Eu Acho é Pouco, com concentração a partir das 9h, na Praça Laura Nigro. E, às 23h59m, a saída do imbatível, mítico e mágico calunga O Homem da Meia Noite. Haja fôlego! À noite, mais de 20 atrações passam pelo palco do Marco Zero (entre elas, Elza Soares e Gaby Amarantos), doze na Praça do Arsenal (incluindo Nóbrega, Geraldo Azevedo e Almério), quatro no polo Samba da Rua da Moeda. E no Rec Beat (no Cais da Alfândega) são seis atrações, a partir das 19h

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Texto: Letícia Lins / #Oxerecife
Fotos: PCR/ Flick Recife/ Divulgação

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