“Nóis Sofre Mais Nóis Goza” é só folia

Houve uma época que o brasileiro não tinha direito de escolher seu prefeito, governador, presidente. Eram os tempos da censura à imprensa e da ditadura. E uma das poucas formas possíveis de protestar, sem que ninguém fosse chamado de “subversivo” era o carnaval. Foi assim, que surgiram – por exemplo – agremiações como o Sai na Marra (PC do B) e O Bêbado e o Equilibrista (PCB). E também o Eu Acho é Pouco (em Olinda) e o Nóis Sofre Mais Nóis Goza (no Recife), que reuniam as chamadas esquerdas independentes (pessoas que se opunham ditadura militar, mas não pertenciam a nenhum partido clandestino). No sábado (22/2), a troça se concentra a partir do meio dia, na Rua Sete de Setembro, onde realiza baile popular com orquestra de frevo, até a hora de desfilar. Em 2020, o Nóis Sofre Mais NóisGoza homenageia o jornalista José Mário Austregésilo.

O Nóis Sofre Mais Nóis Goza sai há exatamente. 44 anos e a concentração sempre foi na Rua Sete de Setembro, onde funcionou a Livraria Livro 7, que era o ponto de encontro dos foliões. O Nóis Sofre era um bloco de resistência, pois instituiu um concurso de fantasias no qual o que contava não era luxo, brilho, paetê nem plumas, mas sim a sátira política, inclusive contra os métodos e os figurões de então. A Livro 7 fechou as portas, mas a troça carnavalesca independente não acabou. E como acontece todos os sábados de carnaval, até hoje permanece como uma espécie de braço alternativo para os foliões, pois é para lá que segue muita gente depois de cansar do vuco-vuco em que se transforma o desfile do Galo da Madrugada a partir do meio Dia. Em 2020, o Nóis Sofre Mais Nóis Goza não vai fazer concurso de fantasias. Mas de passistas. É o Ganhe a Cerveja do Seu Carnaval, com R$ 200 para o primeiro colocado e R$ 100 para o segundo.

Como ocorre desde os primórdios da troça, as ilustrações das camisetas são do cartunista Lailson, que sempre aborda questões que dominam os noticiários. Esse ano, a camiseta mostra que nem a ameaça internacional do Corona Vírus  (ilustração acima, à esquerda) acaba com a alegria do folião pernambucano.  E que o que está valendo mesmo é uma marca de chuveiro, como mesmo nome, para amenizar o “fogo” dos foliões, no meio da maior animação.  A camiseta custa R$ 25 e já pode ser adquirida nos seguintes locais: Banca do Manoel, Cascatinha e Recanto do Poeta (Rua Sete de Setembro). Na Banca Globo (Avenida Guararapes), ou ainda no Box da Lenira (no Mercado da Madalena). Estarão à venda no sábado, no local da concentração. Também podem ser solicitadas pelo telefone 81 999308939.  O Nóis Sofre  desfilará com a Orquestra Harmonia, a mesma do ano passado. E em 2020 tem apoio da Prefeitura e do Governo de Pernambuco, através da Fundarpe. O Nóis Sofre é um ano mais velho do que O Galo da Madrugada, mas permanece até hoje com o espírito  anárquico de troça mesmo.

Antes de sair, a Troça faz seu habitual baile popular, na Sete de Setembro, Boa Vista. Veja vídeo:

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Texto, foto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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