“Quinho” e a perfeição no ferro

Quem nunca ficou em apuros, na hora em que precisa de um eletricista, um pedreiro, um marceneiro um serralheiro? São muitos os prestadores de serviço que somem sem concluir o trabalho, ou que dizem “vou amanhã” e nunca aparecem. E ainda tem aqueles que pedem mais dinheiro adiantado do que a proporção do serviço executado. E que ficam de cara feia, quando você diz que só paga o resto quando for cumprido o que foi acertado no contrato. Mas há, também, aqueles que você pede o telefone para saber a quem apelar, na próxima necessidade. Um desses é Neuton José de Freitas (Neuton com “U” mesmo).

Estava eu às voltas com reforma,  remoção de pintura, aplicação de impermeabilizantes  nas paredes, pintura de grades para descobrir, quase no final da obra, problemas nas  portas  de ferro da minha casa. Pela manhã, procurei serralheiros conhecidos, que já haviam feito trabalhos para mim. Promessa vem, promessa vai, chegou a hora combinada e não apareceu ninguém. Até que o pintor de parede, Mauro  Roberto dos Santos (que fazia serviço em minha residência, em Apipucos) indicou Quinho, como é mais conhecido. Cheio de compromissos, com muitas encomendas para entregar, eis que Quinho chega, assim mesmo, ao meu endereço, logo após ter sido solicitado. Chegou com a prontidão de uma ambulância, em pedido de socorro. No meu caso, uma “emergência” doméstica, com necessidade de solução imediata porque os pintores já estavam na fase de conclusão da obra.

Ele  chega, olha as grades danificadas, dá o diagnóstico do problema, aponta a solução e me passa uma tremenda segurança, como nenhum serralheiro anterior havia me passado. Começa o serviço por volta  de três da tarde e conclui de noite. Ou seja, não era bronca pequena. Pergunto o segredo da eficiência. “Não tem segredo, é só fazer o serviço certo, sem ter pressa, e deixar o cliente satisfeito”. Fiquei satisfeita, sim. Problemas com prestadores de serviços sempre ocorrem.

Então, resolvi fazer o registro, como costumo, aqui no #OxeRecife, como já fiz com Filipe, o eletricista que me salvou em uma noite de tempestade, quando um fio (que eu não sabia descoberto) começou a dar circuitos. Eu, morrendo de medo de incêndio. Mas Felipe veio, no meio do temporal. E… resolveu. Foi um alívio que nunca esqueci. Até hoje sou grata ao eletricista que me atendeu no meio da chuva torrencial. Era um temporal daqueles que você fica sem coragem de sair de casa.

O serralheiro não chegou com a chuva,  mas sob o sol escaldante. E só saiu com a lua já no céu. Mas resolveu. Terminei achando bom, o fato dos os outros  serralheiros que havia procurado terem farrapado. Acho que ele foi a melhor solução. Quinho nasceu no Recife, e começou a trabalhar aos oito anos, como ajudante na tipografia do pai, quando ainda se usava letras de chumbo nas gráficas. “A gente fazia recibo, panfleto, calendário, nota fiscal”, lembra. Depois a avó o aconselhou a “trabalhar” em uma serralharia, para aprender um novo ofício. Tinha só treze anos. Naquele tempo, o entendimento sobre trabalho de crianças era diferente do de hoje. “Eu trabalhava de graça, mas ela me dava o ‘salário’ para eu não pedir dinheiro ao patrão”.  Foi assim que Quinho descobriu sua vocação e profissão. E é do ferro que vive hoje. Com dois meses de “aprendizado” começou a receber remuneração pelo seu ofício. Aos 22, trabalhava como autônomo.

Posteriormente, criou sua empresa, onde possui três funcionários. “Ensinei a todos e já tem um que faz melhor do que eu”. A empresa fica fica no Arruda. Para quem interessar, o telefone é  9 84 24 22 62. Se você tiver sorte… Porque a demanda pelos seus serviços é grande. Processa quase duas toneladas mensais de material, fazendo grades, escadas, mezaninos, o que for preciso. Mas confecciona também esquadrias de alumínio, suportes para vidraças, etc.

Andando pelo Recife e  até pelas cidades do interior, você verá muitos trabalhos dele. “As grades de quase todas as escolas estaduais em Pernambuco sou eu que faço, no Recife e nas cidades do interior”, diz.  “Também já fiz muita armação de ferro para decoração de carnaval”. Na quarta-feira, ele estava trabalhando em encomenda para um shopping-center da Região Metropolitana. E  já perdeu as contas dos serviços executados para construtoras, indústrias, lojas, residências, agências bancárias.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e J de Freitas Filho Serralharia/ Divulgação

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