O “homem de mola” dos Guerreiros do Passo

Laércio Olímpio de Aguiar (foto) é um velho conhecido dos foliões do carnaval do Recife. Quando ele pega uma sombrinha e faz o passo, todo mundo sai da frente. E as pessoas até param para olhar, contemplar a coreografia que ele faz no frevo.  O passista até virou referência no carnaval de rua do Recife: é o “homem de mola”, como os foliões costumam chamá-lo. O eletricista desempregado é um dos integrantes do Grupo Guerreiros do Passo, que dá aulas gratuitas na Praça do Hipódromo, às quartas (19h) e aos sábados (15h).

Quando o carnaval se aproxima, a demanda aumenta. E muito. No último sábado, a Praça estava cheia. E Laércio – que atua nos Guerreiros como voluntário – me ajudou muito. A Praça do Hipódromo, aliás, com os seus Guerreiros do Passo, é um dos destinos da programação do Projeto Olha! Recife do sábado (1/2). Laércio atua como professor voluntário de passo, ao lado de outros Guerreiros, há oito anos. E diz que o frevo está na genética da família. Os avós, a mãe, os tios sempre tiveram ligação muito forte com o carnaval A avó foi porta estandarte, fez parte de coral de blocos líricos e o tio não perdia um encontro no Clube das Pás. “Já a mãe era  só foliã mesmo”, diz ele.

Laércio que costuma dar seu show particular, no abre alas do Clube Carnavalesco Misto Escuta Levino, cuja concentração e desfile acontecem, sempre, na quinta-feira que antecede ao Sábado de Zé Pereira.  O Levino, aliás, é uma das melhores prévias de rua do carnaval do Recife. Para Laércio  (aquele  passista esbelto, com corpo de bailarino, chapéu coco e que usa guarda chuva não estilizado), sua dança vem de três pessoas que o inspiraram: Nascimento do Passo, José do Passo e Fernando Zacarias, o primeiro porta estandarte do Clube de Máscaras O Galo da Madrugada. “Todo folião é um passista, mas nem todo passista é um folião, e eu acredito que sou as duas coisas”, afirma. Ele gosta de contemplar a multidão no carnaval, porque é no folião que busca, também, inspiração para sua dança.

“O folião é nossa matéria prima, sem ele não existe o passista, é o oxigênio das agremiações carnavalescas”. Laércio informa que o trabalho dos Guerreiros não é só ensinar o passo. “A gente não quer mostrar só o passo, os seus movimentos, mas quer sobretudo preservar uma cultura, mostrar a sua evolução. Há o passo catalogado, o que é muganga e o que é improviso”, ensina. O passista reclama da evolução do carnaval do Recife. “Antes a gente tinha só o carnaval de rua, as agremiações, agora inventaram um palco, a espetacularização do carnaval. As pessoas ficam esperando os shows e terminam deixando de seguir os blocos”, reclama.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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