Parem de derrubar árvores: “eliminação das sombras” por falta de reposição

Olhem a foto acima. Essa árvore foi erradicada na Avenida Dezessete de Agosto, bem pertinho da Praça de Casa Forte, Zona Norte do Recife. Mesmo com as raízes expostas e após a ação da motosserra insana, ela tentou sobreviver, brotando um galho com folhinhas. Agora não resta mais nada, como vocês podem observar na foto abaixo, à esquerda.

O que sobrou no alegrete foi um monte de pó de serra e de areia, denunciando que ali há sim uma vítima de arboricídio. A planta ficava na calçada do Edifício Gilberto Freyre. E o #OxeRecife acompanhou o seu calvário, o esforço de renascimento e, por fim, o golpe de misericórdia, que deixou a via nessa situação. Acabou-se a sombra para pedestres e ciclistas.

Bem pertinho dali, na Praça Flor de Santana (em frente ao CPOR), há outro exemplo de árvore erradicada, sem a devida reposição, como vocês podem confirmar à direita. Esse caso também acompanhamos aqui no #OxeRecife. Mas nenhuma outra planta foi colocada no lugar da erradicada. E o que é pior, o alegrete virou depósito de lixo e pedaços e metralhas. Como, aliás é comum acontecer em canteiros vazios.

Hoje, pela manhã, caminhei com a amiga Maria Carvalho que, pedestre como eu, espanta-se com o que está acontecendo no bairro do Parnamirim. Contamos em um pequeno trecho, cinco árvores que foram eliminadas e estão sem reposição. E pasmem: essa quantidade fica entre o Pão de Açúcar (na Desembargador Góis Cavalcanti) e a Praça Lula Cabral (girador do Parnamirim). Dá para acreditar?

Antes, eu havia constatado esse caso da foto aí em cima, à esquerda. A árvore suprimida e  ainda sem reposição, ficava à altura do número,  675, na Estrada do Encanamento, no Parnamirim. O caso inclusive foi relatado aqui no #OxeRecife (Parem de derrubar árvores 207). Ficou o toco, começou a brotar e depois levaram o resto. Nesta semana, recebi informações de duas erradicações na Rua do Marques, ali pertinho. Elas me foram enviadas por Francisco Cunha, consultor, urbanista, arquiteto e coordenador das Caminhadas Domingueiras Olhe Pelo Recife, militante da causa Cidadania a pé. Ele afirma entender os motivos das erradicações. Mas mostra que, se necessárias as degolas, as reposições precisam ser imediatas.

Veja o que ele diz, em comunicado a este Blog.

Entendo perfeitamente que árvores sejam erradicadas. Acredito que cada erradicação seja de fato, baseada em laudo técnico conforme foi informado quando solicitei esclarecimento. O que não entendo é que cada erradicação não seja seguida de replante imediato no local. Numa cidade tropical, a sombra é requisito indispensável da mobilidade a pé. Não replantar árvore erradicada logo em seguida à erradicação – e no mesmo local  – significa, na prática, a eliminação de sombras. 

Que o digam pedestres e ciclistas que, muitas vezes, não suportam o calor das ruas, devido às falhas na arborização. Ou aos “clarões”, como costuma definir minha amiga Maria Carvalho, ao passar nos espaços privados da sombra das árvores que se foram. Ela sempre me alerta para um novo “clarão” no Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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