Os “donos da rua” na Praça da República

Gente, quando eu penso que a coisa melhorou, a situação permanece a mesma, quando o assunto é flanelinha, no centro do Recife.  Refiro-me à forma como somos abordados – e às vezes até extorquidos – pelos “donos das ruas”, quando chegamos ao Teatro Santa Isabel, e tentamos estacionar ao redor da Praça da República, no Bairro de Santo Antônio.

Estive no Janeiro de Grandes Espetáculos, evento maravilhoso que nos dá acesso ao teatro por preços populares. Mas foi constrangedor, mais uma vez, desembarcar do automóvel. Primeiro: nem bem cheguei, e fui cercada por quatro homens brigando entre si. Todos queriam determinar onde eu devia estacionar, de que forma deveria posicionar meu velho pálio junto à calçada. E, pior, exigiam pagamento adiantado, com imposição de preço.

Um deles chegou a sugerir que estacionasse sabem onde? No portão que dá acesso ao estacionamento interno do Teatro, provavelmente reservado para funcionários e artistas. Ou seja, se eu atendesse aos “donos da rua”, ia deixar todos os automóveis sem chance de sair do pátio do teatro. E não é a primeira vez que sou obrigada a ouvir esse tipo de “conselho”.

Para quem pede “pagamento” antes do meu retorno, meu discurso é sempre o mesmo. “Da última vez que paguei adiantado, quando voltei, nem tinha o carro nem o flanelinha”. E ponto final.  Coloquei, então, minha “ferrari” em uma área mais distante, cansada de tanto achaque.  Mas também lá, me deparei com mais um “dono da rua”. Ao sair do Teatro  e entrar no carro, só não fui xingada de “bonita”, porque não paguei ao flanelinha o valor que ele exigia. Sei que flanelinha é um produto do desemprego. Mas, como cidadã, tenho o direito de reclamar, porque a rua é de todos. E não só deles.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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