Canudos plásticos das praias viram óculos: a natureza agradece

Já proibidos em diversas cidades da União Europeia e da América Latina, os canudos de plástico  ainda são muito utilizados no Brasil inclusive nas praias, como ocorre em Boa Viagem, onde o que a gente mais vê são esses produtos – tão danosos à natureza – enfiados na areia. A maré sobe e arrasta os nocivos apetrechos para o mar, onde eles terminam fazendo mal a animais como tartarugas e peixes. Nem tudo, no entanto, está perdido. Seguindo tendência cada vez maior nas empresas quanto à preservação do meio ambiente, a Zerezes decidiu fabricar óculos confeccionados com… canudos plásticos recolhidos nas praias. Não é bacana, gente? Com 35 canudos recolhidos, a empresa faz um par de óculos (foto acima).

Dedicada à fabricação de óculos de graus e para sol, a Zerezes – que é do Rio de Janeiro – já tem tradição na área de sustentabilidade. Ela ficou famosa em 2011, quando começou a fabricar óculos usando como matéria prima a madeira proveniente de demolição.  Achei excelentes as duas ideias. Porém gostei mais ainda do aproveitamento de canudos para fabricar óculos, embora achasse os de madeira bem charmosos. É que não consigo me habituar com a quantidade de canudos jogados nas praias e costumo apanhá-los ao longo de minhas caminhadas.  Há até empresas apregoando que estão distribuindo canudos de papel com os barraqueiros da praia em Pernambuco, mas – para falar a verdade – eu só vejo a turma tomando água de coco e refrigerantes com canudo plástico mesmo. Pelo menos no Recife , onde a liberalidade com esse produto desperta preocupação de ambientalistas.

“Sonhamos com um mundo onde o design e as empresas são geradores de impactos positivos, e há dois anos nos empenhamos para criar um novo produto que fosse regenerativo, circular. Hoje 90% das aves marinhas têm fragmentos de plástico no estômago e no ritmo que estamos, até 2050 existirão mais plásticos que peixes nos oceanos. O cenário é sim catastrófico”,  diz Hugo Galindo, diretor criativo da marca. Para chegar à equação de trinta e cinco canudos = um par de óculos, a Zerezes precisou se debruçar por quase dois anos sobre o projeto, que tem como objetivo inspirar mudanças no comportamento do consumidor assim como sensibilizar empresas e a sociedade para o problema, já que o plástico de uso único leva dez gerações – cerca de 400 anos – para se decompor na natureza.

Em parceria com a designer Juju Lattuca, nasceu a ideia da coleção que foi lançada pela marca carioca no final do ano passado. A coleção, no entanto, consta de série limitada de óculos” cor de chiclete, tom das características listrinhas do terceiro item mais encontrado em limpezas de praia mundo afora”. A iniciativa também tem um lado social.   A comunidade  do Morro Dona Marta é responsável pela primeira parte do processo de transformação dos descartáveis no produto final. Para a Zerezes, a iniciativa agrega importante valor ao produto final, por ressignificar a mesma matéria prima: plástico descartável, design e impacto positivo

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Diivulgação: Zerezes

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