Histórica, Praça Maciel Pinheiro vive a decadência e o abandono

Amigos do #OxeRecife que residiam na cidade e que vieram passar aqui as festas de fim de ano, queixam-se do abandono do centro. E com razão. Pois além do lixo nas ruas, de muitas calçadas esburacadas, da descaracterização de prédios históricos, a situação das praças localizadas nos bairros da Boa Vista, Santo Antônio e São José está de fazer pena. À exceção da Dom Vital, que antes parecia um ninho de rato, mas que passou por reforma que lhe devolveu bancos inteiros e o verde gramado dos seus jardins. As demais fazem vergonha até um turista ver. Bem que a nova Presidente da Emlurb,, Marília Dantas, poderia iniciar sua gestão arrumando a casa. Ops… as praças.

Uma boa sugestão é começar pela Maciel Pinheiro, uma das mais degradadas, e sobre a qual já falei aqui. Tinha algumas pendências a resolver na Boa Vista e estive lá na última segunda-feira. Percebi que a situação da Praça está pior do que da última vez que a visitei: as calçadas estão cheias de buracos, os bancos  estão quebrados, há lixo em todos os canteiros e a vegetação – o que é normal no Recife – está morrendo por falta de água. O gramado inclusive já sumiu, o que é uma pena. E a sinalização turística tem tanta ferrugem que ninguém nem consegue ler. Afinal, se tem uma praça que tem muita história, esta é a Maciel Pinheiro, pois foi inaugurada no final do século 19, em comemoração da vitória das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai (1864-1870).

Apesar de histórica, é cada dia pior a situação da Praça Maciel Pinheiro, a principal da Boa Vista.

Antes, teve vários nomes: Moscoso, Largo do Aterro, Largo da Matriz, Largo da Boa Vista, Praça do Conde D´ Eu.   O atual,  Maciel Pinheiro (1839 – 1889), é em homenagem ao advogado e jornalista de ideias liberais e republicanas, que chegou a alistar-se como voluntário para a Guerra, mas que foi atacado pela malária e não pôde lutar como pretendia. Teve que voltar a Pernambuco, sem conseguir cumprir sua missão de herói. Ele foi depois homenageado pelo então colega do curso de Direito, Castro Alves (1847 – 1871), com o poema Peregrino Audaz. De volta do Paraguai passou a colaborar nos jornais locais, defendendo suas ideias políticas, incluindo as abolicionistas.

Mas não é só isso: a Praça Maciel Pinheiro foi o local  por onde começou o abastecimento d´agua público no Recife. Recebeu um chafariz para servir a população da Boa Vista, cuja água ia por tubulações do Açude do Prata até a Boa Vista, um avanço para a época.  A fonte que hoje ocupa o lugar do antigo chafariz –  com bacias,  ninfas índia e leões – é considerada uma das mais importantes esculturas do artista português Antônio Moreira Ratto (1818 – 1903). O conjunto de esculturas que forma a fonte é, talvez, o mais bonito das praças do Recife.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Maciel Pinheiro virou ponto tradicional de encontro de judeus que fugiram da Europa, que passaram a residir em suas redondezas, onde também mantinham seus comércios. Sendo que uma dessas famílias era de ninguém menos a da então menina Clarice Lispector (1920 -1977), que  depois seria famosa e cultuada escritora. O sobrado onde ela residiu, no entanto, já perdeu o telhado e a cada dia, se deteriora mais.  Ou seja, história e beleza à Praça Maciel Pinheiro não faltam. A Maciel Pinheiro vive abandonada há tempo e já foi até alvo de faxina pelo Grupo Amantes do Recife. O que ela precisa é de cuidado. Vamos ver se  a nova Presidente da Emlurb,Marília Dantas, se sensibiliza com a situação e tem a iniciativa de restaurar seus equipamentos. E também seu imponente monumento!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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