Pastoril tradicional tem 20 grupos atuando no Recife

Quem gosta de curtir aquele pastoril tradicional, o chamado pastoril religioso, ainda tem uma chance hoje. É que às 19h haverá apresentação na Praça de Casa Forte, em frente à igreja, onde será celebrada missa natalina (esta às 20h). É uma boa oportunidade para curtir a saga dos dois cordões ( o azul e o encarnado), da Diana, da Borboleta, da Cigana, do Menino Jesus e outros personagens que revivem os autos de Natal. Felizmente, em pleno século 21, ainda sobrevivem 20 grupos no Recife que, a cada Natal, levam às ruas suas danças, cantos e jornadas.

Em 2019, além de levar os  pastoris às ruas – em cortejos ou em apresentações no palco armado na Praça do Arsenal, no Bairro do Recife – a Secretaria de Cultura deflagrou o Projeto Jornadas para Celebrar, promovendo um intercâmbio entre esses grupos, assim como o percussionista Naná Vasconcelos fazia com os maracatus, nas semanas que antecedem o carnaval, quando os nações “visitavam” outras nações para agitar suas alfaias. Em 2019,  os pastoris percorreram bairros Ibura, Santo Amaro, Água Fria e Torrões, visitando os demais grupos nos seus próprios bairros, “para fortalecer a tradição em sua geografia nativa”, segundo a historiadora Carmem Lélis, da Prefeitura.

Pastoril Jardim de Alegria, de Águas Compridas, tem roupas luxuosas, com brilho, e jornadas autorais: diferente.

Ela lembra que no Brasil, a tradição se fortaleceu no século 19, “mantendo-se pela iniciativa de leigos, mas sem perder a ligação religiosa”.  Ressalta que estudiosos consideram o pastoril um  precursor do teatro popular, o que explicaria a sua influência na vida social de Pernambuco e do Nordeste. Na verdade, lembra o historiador Bráulio Moura, o pastoril tem origem nos autos de Natal do século 18, tendo sido introduzido em Pernambuco pelos franciscanos, nas representações do presépio, em Olinda. O pastoril tinha, pois, a finalidade de animar a lapinha com danças e cânticos. Ele exonta, ainda, que a ocupação árabe (que dominou Portugal e Espanha) deixou símbolos que “habitam o subconsciente ibérico” como o azul (associado ao cristianismo) e o vermelho (aos mouros).

No Recife, quase todos os pastoris cantam jornadas tradicionais, que nos remetem à infância, quando os cordões azul e encarnado provocavam disputas, torcidas e nos motivavam até a levar bandeiras para gritar pelos nossos cordões, como os torcedores fazem com os seus times. No último sábado, no entanto, presenciei a apresentação de um pastoril tradicional, o Jardim da Alegria (de Águas Compridas), que me fez lembrar o fenômeno que atinge as quadrilhas, que deixaram de lado as roupas com remendos dos “matutos” e passaram a usar brilhos, plumas e roupas bordadas. Apesar de tradicional, o Jardim de Alegria cantou jornadas que eu desconhecia, as roupas das  pastoras e da Diana não eram tão simples como as do passado. Me  veio a pergunta: Será que os pastoris estão seguindo o mesmo caminho das quadrilhas, com luxo, brilho, enredo?. Não. Não estão. Segundo Carmem Lélis o Jardim de Alegria é o que mais ousa nesse sentido. “O grupo canta jornadas autorais, as roupas são meio misturadas e possuem brilho, mas eles preservam todos os personagens e as etapas do espetáculo”, diz a historiadora. “O que acontece é que como quase todos militam em quadrilhas juninas, deixam-se influenciar pelo universo quadrilheiro”. Curioso, não é?

Veja o vídeo com parte da apresentação do Pastoril Jardim de Alegria, na Praça do Arsenal:

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Texto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (#OxeRecife)  e Andréa Rego Barros / Divulgação/ PCR

 

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