À sombra e à luz do Baobá

Depois das cerimônias realizadas  em novembro no Recife – na Praça do Campo Santo – aos pés do Baobá, agora chegou a vez da Bahia de reverenciar a árvore mágica e sagrada, que tanto mexe com  corações e mentes das pessoas. Na quarta-feira (4/12), o Programa Multidisciplinar de Pós Graduação em Cultura e Sociedade e terreiros de candomblé realizam o evento A Universidade Federal da Bahia (Re)encontra o seu Baobá.  A solenidade será às 15h, no Campus Ondina da Ufba.

Na verdade, eles prestam homenagem a baobá plantado ali em 21 de fevereiro de 2006, com muda proveniente do Recife e levada pelo antropólogo Fernando Batista (ao lado, de camisa azul)), atualmente fazendo doutorado em Cultura e Sociedade naquele Programa da Ufba. Fernando, amigo aqui do #OxeRecife, é conhecido como o “Semeador de Baobás”, diante da quantidade de indivíduos dessa espécie que ele já disseminou por cerca de 20 ou mais cidades brasileiras.

Em 2006, o plantio do baobá no campus da Ufba, foi uma das ações do então Projeto (Im)plantando Morada dos Ancestrais em Salvador, idealizado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba, e realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Reparação. Um dos objetivos do Projeto era o plantio da espécie Adansonia digitata em terreiros de candomblé em Salvador e Região Metropolitana. E também em espaços públicos soteropolitanos importantes para a comunidade religiosa, como o Dique de Tororó e a Passagem de São Bartolomeu. Hoje, vários desses baobás pernambucanos estão sacralizados em terreiros de candomblé da Bahia.

Quem conduzirá a cerimônia de quarta-feira será a Ekedy Sinha, do Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Terreiro da Casa Branca), a mesma autoridade que conduziu o ato em 2006, quando outras lideranças religiosas estiveram presentes, inclusive do Ilê Iyá Omin Axé  Iyá Massê (o famoso Terreiro do Gantois, que foi liderado pela venerada Mãe Menininha). A árvore do campus encontra-se cercada por tapumes e de entulhos de obras de construção ali realizadas. Mas o ato pretende chamar atenção das autoridades – incluindo da Reitoria da Ufba, para preservação do baobá como “patrimônio paisagístico”, pois embora seja exótica, funciona como “elo entre a Ufba e uma das mais emblemáticas expressões da cultura e religiosidade baianas: o candomblé”.

No evento, falam, também, o próprio antropólogo semeador de baobás e o historiador Luís Pinto. Semana passada, quando estiveram no Recife, visitamos vários baobás, nos quais foram colhidos frutos (E), para extração de sementes e a consequente produção de mudas. Visitamos baobás no Recife e em Olinda, onde flores e frutos maduros permitiram a maior coleta de sementes.

Em Pernambuco, a espécie se popularizou muito. O estado é considerado o centro dos de baobás no Brasil. No Recife, temos a maior concentração de baobás por metro quadrado no campus da Ufpe, o que motivou a criação de uma trilha que será alvo de visitação pública em 2020. Entre os responsáveis pelo plantio na Ufpe, encontram-se Fernando e outros funcionários da Ufpe (D). Sagrado, o baobá tem o dom de aproximar as pessoas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Hans Von Manteuffel

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2 comentários

  1. Adoro essa árvore! É mística, exuberante e imponente! Estou com três mudas (eu mesma plantei) para replantar na zona Rural de Salgadinho -PE, no sítio de minha família.

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