Parem de derrubar árvores (214)

Na Semana da Consciência Negra, nada como falar do Baobá, árvore tão importante para a reafirmação da identidade cultural, histórica e religiosa do povo negro. E também tão querida e cheia de significados para a população do Recife. A  árvore mágica é tão agregadora que contribui para viabilizar o  sucesso do Jardim do Baobá, que virou local de convivência, de lazer, de confraternização. Com certeza, o espaço público  – já tão icônico na nossa cidade – não seria o mesmo sem a presença daquela espécie vegetal, tida como o maior colosso vegetal do mundo.

Está lá, firme, encantando as pessoas, apesar de – no passado – ter sido ameaçada de erradicação, para ceder lugar a mudanças nas calhas do Rio Capibaribe, em obras destinadas a prevenir enchentes. Mas a grita foi geral na década de 70 do século passado. E o traçado inicial sofreu um desvio para preservar… o baobá. E a árvore, felizmente ficou lá. O Jardim do Baobá é bonito, tem astral, a beleza do Capibaribe, as capivaras que, vez por outra, marcam presença nos seus canteiros.

Acontece que o tratamento imposto à vegetação está deixando muito a desejar. Estive lá nesta semana, com os amigos Fernando Batista (antropólogo e semeador de baobás) e Luís Pinto (professor e historiador). E constatei com as plantas do Jardim do Baobá não estão com o tratamento que merecem. Necessitam de rega, de reposições. Pior, tem uma árvore degolada pela motosserra insana. O toquinho, tamborete ou o que quer que se chame está lá. Coisa feia, feia mesmo. Ainda mais naquele lugar, que representa o ponto de partida para transformar o Recife em Cidade Jardim até 2030.

A árvore  foi degolada, mas ninguém tomou providência para retirar o tronco e, pelo menos, colocar outra planta no lugar. Uma  como aquelas que, felizmente, começam a ser distribuídas nas ruas do Recife pela Secretaria de Meio Ambiente, com mais de dois metros de altura, para que não engrosse o índice de mortandade das mudas que anteriormente eram destinadas a praças, jardins, calçadas. Eram tão miúdas e desprotegidas, que tinham índice de perda de cerca de 30 por cento. Atenção,  Prefeitura, Bora plantar uma árvore no Jardim do Baobá? Manda a Emlurb retirar o toco que ficou e coloca uma árvore no lugar. Essa história de tocos degolados na cidade não pode continuar. Ali bem pertinho, nos jardins da Ponte D´Uchoa, foi degolada uma árvore. O tronco ficou lá um tempão. Agora levaram tudo. Mas cadê a muda para botar no mesmo lugar? Nada….

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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