Arara tem estresse em cativeiro

Deve ser muito triste se desfazer de um animal de estimação.  Já perdi um gatinho (Rabutã). O bichano, que era muito amigo, morreu de velho, e eu passei um bom tempo triste.  Portanto, não foi fácil para Maria do Carmo Batista ficar sem sua arara-canindé (Ara araruana). Foi o que aconteceu nesta semana, quando ela entregou a ave à Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh). Arara é animal silvestre e como os papagaios, não devem ser criados em cativeiro. Mas no caso dela,  a ave tinha documentação do Ibama, autorizando a guarda doméstica da arara.

Portanto, ela tinha licença para criar o animal em ambiente doméstico, conforme prevê a legislação, quando o animal tem procedência conhecida, tendo nascido em criatório com autorização federal. O animal, que atende por Bebê, é adulto e estava anilhado. Maria do Carmo é tutora da arara, que estava com ela desde quando era ainda um filhotinho. O #OxeRecife reconhece que a tutora tinha licença para criar o bichinho, mas sempre defendeu e defende que lugar de animal silvestre, qualquer que seja, é a natureza.

“É muito difícil me separar dela, estou muito triste, já chorei muito. Mas acredito que a entrega será para o bem da arara, que precisa de espaço e de companhia de outros animais da espécie”.

Foi o que disse Maria do Carmo (fotos). E ainda bem. Mesmo com a amizade que  tinha com o bichinho, ela resolveu dar um destino mais adequado ao animal. Ela reside em uma casa térrea no Bairro de San Martim, e conta que a ave andava muito agitada ultimamente. Informou, também, que ela foi adequirida pelo seu ex-marido em um viveiro legalizado. Mas mesmo vindo de um criadouro licenciado, o animal precisa de espaço, da natureza. “A ave estava muito estressada, gritando muito”, contou.

Sinceramente, gostei da atitude de Maria do Carmo. Ela mostrou compreensão e atitude nada egoísta, pois mesmo sabendo que ia sentir falta do animal, ela o entregou desejando o melhor para a Bebê. Felizmente algumas pessoas, mesmo apegadas a animais silvestres – que criam como se fossem domésticos – terminam se conscientizando da necessidade do retorno deles à natureza. No Recife, já houve caso de uma aposentada que entregou seu papagaio querido à Cprh, porque descobriu que havia um gavião espreitando o lourinho no quintal de sua casa. Tinha medo que o papagaio virasse presa da ave de rapina. Ter animal silvestre em casa é crime ambiental. Mas quem faz entrega voluntária se livra de processo e de pagamento de multa.

A ave foi encaminhada para o Centro de triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), onde será preparada para retornar à natureza. De acordo com o Gestor do Cetas, Yuri Valença,  a “agitação” da arara tem explicação: “agora é o período reprodutivo em sua área de ocorrência”.  Muitas aves são monogâmicas, e vivem quase toda a vida com o mesmo companheiro. “Esses animais são dependentes de parceiros e, na falta de um, ficam extremamente estressados”. Ou seja, por mais que Maria do Carmo se dedicasse à arara, com todo o sentimento, ela precisa mesmo é do seu amor animal. De uma cara metade que seja seu semelhante. Então, lembrem-se: lugar de bicho silvestre é na natureza. De lá, ele nunca deveria ter saído.

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Texto: Letícia  Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh / Divulgação

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