Detonadas as margens do Capibaribe

Sinceramente, depois do upgrade na Praça Dom Vital – que ficou linda, gastando-se muito pouco – bem que a  Prefeitura poderia mostrar um zelo maior com as margens do Rio Capibaribe, no Centro do Recife. Mas tanto na Rua do Sol quanto na Rua da Aurora, a desolação é muito grande: o gramado acabou, há lixo em todos os lugares e há até postes de iluminação furtados.

O que, aliás, não é novidade. No Recife, há registros de desaparecimento de materiais em ferro ou cobre na Ponte da Boa Vista, no Pátio de São Pedro e agora junto das muretas que  ficam aos lados do Capibaribe, como vocês podem observar na foto acima, naquilo que antigamente se chamava de quem me quer, quando os bairros de Santo Antônio e Boa Vista concentravam o comércio chique do Recife, e os flertes da juventude aconteciam às margens do Rio, principalmente próximo ao Cinema São Luiz e à extinta Sorveteria Gemba.

A sensação, no entanto, é que o centro está abandonado. As margens do Capibaribe constituem apenas mais uma amostra da degradação contínua que sofre o Recife, problema que se estende por ruas como a Nova, a Imperatriz, LIvramento, Duque de Caxias, Santa Rita e tantas outras.

Tenho circulado muito pela cidade, sempre ao lado de grupos que gostam de explorar o Recife a pé. E a última vez foi no domingo de manhã, durante o encerramento de encontro do Projeto Recife Arte Pública, quando saímos pelas ruas sob a liderança de Lilian Amaral, com o seu conhecido Projeto Tocar. Aos domingos, vazia, a cidade é bem mais bonita e acolhedora. Mas suas chagas ficam mais expostas.

O Projeto Tocar já desenvolvido em São Paulo, Fortaleza e Valencia (Espanha), está sendo trabalhado no Recife. Voltarei a  falar aqui no #OxeRecife sobre a iniciativa, que é muito interessante. Lilian é artista visual e professora de Arte Pública da Usp. Ela nos conduziu pelas ruas, para que víssemos a  cidade com um outro olhar. Um olhar diferente daquele que temos na correria da semana, quando mal temos tempo de contemplar os locais onde moramos. Claro, o Recife tem coisas lindas. Mas o abandono, a falta de zelo do poder público e da população, a sujeira, o vandalismo, as ruas cada vez mais áridas, os prédios antigos descaracterizados nas ruas do centro terminam por ofuscar os seus encantos. O que é uma pena..

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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