Pátio de São Pedro está sendo pilhado

Amigos, estive no último final de semana no Pátio de São Pedro, e fiquei muito triste com o que vi. Como vocês sabem, o Pátio de São Pedro é tombado (igreja e casario). Aliás, tombado desde 1938, o logradouro foi o primeiro conjunto arquitetônico de Pernambuco a ser transformado em monumento nacional. Pois, acreditem. Apesar de lindo e com preservação garantida pelo Iphan, o Pátio está sendo pilhado, da mesma forma que ocorreu com a ponte da Boa Vista, que teve vários pedaços furtados.

Estão levando as estruturas de ferro de equipamentos como postes e lampiões. Estive no Pátio com o Grupo Caminhadas Domingueiras e fiquei estarrecida com a pilhagem. Há um poste de ferro que foi torado no meio e e a metade superior sumiu. Também sumiram os lampiões que ornavam nada menos de sete postes.  Até mesmo os lampiões que ornamentam casas em extremidades opostas do Pátio também sumiram.

De ferro, esse poste que fica no Pátio  foi torado no meio,: corte parecido com o observado na Ponte da Boa Vista

Será que um lugar daquele, de tanto valor histórico, arquitetônico e artístico não possui câmeras de monitoramento? A coincidência é quanto ao material furtado:  ferro, o mesmo que sumiu da Ponte da Boa Vista, outro monumento tombado que vem sendo surrupiado (aos poucos) por marginais. Com certeza, o ferro assim como o cobre, tem valor de mercado. E tem quem compre, os chamados receptadores. E deve ter muita gente rindo de nós, os otários, já que vem sendo fisgado um  patrimônio que é de todos, sem que nada aconteça. Liguei para a Emlurb, a fim de saber se os equipamentos haviam sido retirados para manutenção. Não foram, segundo a assessoria de imprensa do órgão. Então, foram parar em quê?

Como se isso não bastasse, o Pátio  jamais recuperou a efervescência do século passado, quando era movimentado a noitadas de ciranda que atraíam grande parte da população recifense que, naqueles tempos, não dispunha de tantas opções de diversão noturna. O Pátio está quase parado. Aos sábados, domingos e feriados até parece um cemitério, pois não tem alma viva, o que é uma pena. Fora de calendários festivos de época – São João, Natal e carnaval – o maior movimento ocorre uma vez por mês, durante a Terça Negra que em novembro é semanal  Há tentativas de se movimentar a economia, o turismo, o lazer no Pátio e em seu entorno mas nenhuma delas já conseguiu resgatar o movimento do passado. Para completar, o lugar virou alvo da ação de vândalos, os mesmos que provocam prejuízos superiores a R$ 2 milhões por ano aos cofres públicos do Recife. Assim, fica difícil. Cadê a guarda municipal? Compartilhem essa informação. Afinal, o Pátio é patrimônio nacional, mas é sobretudo um patrimônio do Recife e de sua gente.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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