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Silenciosa relíquia do tempo de Nassau

A edição de novembro de nossas Caminhadas Domingueiras revelou boa surpresas para os quase cem participantes, que percorreram nesse domingo ruas dos bairros de Santo Antônio e São José. A principal surpresa é histórica e trata-se de fato desconhecido da maioria dos pernambucanos, pois não consta nos guias turísticos, livros didáticos nem de história. E, vejam só, é datada do século 17.

Ela fica no Convento do Carmo, endereço muito conhecido no Recife, já que é em sua Basílica que está a principal imagem da Padroeira do Recife, Nossa Senhora do Carmo, que este ano completou cem anos de coroação canônica, como “Rainha de Pernambuco e do Recife”. A Basílica – que foi iniciada em  1687 – é considerada uma obra prima do rococó. Ao seu lado, fica o convento do Carmo, com seu belíssimo pátio interno, que percorremos hoje. E é nele que está a relíquia desconhecida.

Trata-se de uma das torres que pertenceu ao Palácio da Boa Vista (ilustração da época ao lado).  O Palácio foi construído como casa de descanso por Maurício de Nassau. E ficava de frente para o Rio Capibaribe, que àquela época, chegava até onde está hoje o Complexo do Carmo. E a paisagem era tão bonita, que ele decidiu chamar o Palácio de Boa Vista, que terminou virando nome de um dos bairros do Centro.

“Aprendi na Faculdade que não há nenhuma prova física da presença dos holandeses no Recife, mas depois  – para minha surpresa – nos defrontamos com uma parte da edificação que indica ter sido a torre central do Palácio da Boa Vista”, afirma o arquiteto Francisco Cunha, coordenador das Caminhadas Domingueiras Olhe pelo Recife. Ele conta que vários pesquisadores confiam nessa versão, mas que seriam necessários estudos arqueológicos para comprovação com caráter científico. Historiadores como José Luiz da Mota Menezes e Jacques Ribemboim também defendem que a torre teria sido o que sobrou do Palácio Boa Vista, “que tinha uma bela vista para o Continente”, segundo Francisco.

O coordenador das Caminhadas Domingueiras lembrou que naquela época, o Rio Capibaribe chegava até onde fica hoje o Convento do Carmo, tanto que a rua que fica ao seu lado, ainda tem o nome de Gamboa do Carmo.  Gamboa é um pequeno esteiro, que se enche com a subida da maré. O terreno onde está o convento foi recebido como doação, em 1654, após a expulsão dos holandeses. No local, foi construído um “hospício” (local para hospedagem) e capela. Na construção do convento, uma das torres foi aproveitada e é até hoje utilizada para hospedagem de visitantes religiosos. Ela fica em uma das quina do convento, datado do século 17.  Do pátio, vimos não a torre histórica, mas não tivemos acesso ao seu interior. Em compensação, no andar térreo do Convento,  visitamos a exposição sobre presença dos carmelitas no Brasil desde a sua chegada (em 1580) até os dias atuais não só em Pernambuco, mas no Nordeste. E até na África (Moçambique). No sábado, o Grupo Caminhadas Culturais fizera um roteiro seguindo os passos de Maurício de Nassau no Recife.

Veja a galeria de fotos sobre nosso passeio:

 

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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