O charme e o veneno da Espatódea

Ela dá graça ao mundo onde quer que esteja. Suas flores lembram uma fogueirinha acesa. Até tem quem a defina como chama de floresta. Embora tenha, também, outros nomes: bisnagueira, tulipa do Gabão, árvore de bisnagas, árvore de tulipa. O cantor Nando Reis chegou a dedicar-lhe uma canção: Espatódea.

“Espatódea / Gineceu/ cor de pólen / sol do dia”. Com certeza, vocês já descobriram a árvore que me refiro ( Spathodea campanulata), que embora seja de origem africana, já está tão integrada à paisagem do Recife que ninguém nem lembra de sua origem. É realmente uma planta muito bonita, que quebra a aridez da paisagem cinza em que se transformou a selva de concreto das grandes cidades.

Ela pode atingir até 30 metros de altura. Por isso, muitas vezes, quando visitamos algum amigo ou amiga residente no quinto ou sexto andar de algum edifício, nos deparamos com suas flores na janela.  Como pode se observar da foto (acima), captada no Stúdio Pilates Paula Hirakwa, que fica na Praça de Casa Forte. Faço o exercício, contemplando essa coisa linda na janela.

De acordo com os botânicos, essa planta cresce muito rápido, motivo pelo qual virou a queridinha de parques e jardins de muitas cidades brasileiras. Após três ou quatro anos do plantio, ela já presenteia o mundo com sua primeira floração. No Recife, ela aparece em muitos lugares, mas em outras áreas do mundo – como a Austrália – ela proliferou com tanta frequência que hoje é considerada praga.

É, até mesmo na natureza nem tudo é perfeito. É que as flores da espatódea possuem uma substância tóxica, que ameaça a vida de pássaros como o beija-flor. E de insetos como as abelhas. Há por exemplo, registros de mortandade da espécie de abelha melípona em Marília, São Paulo. Apicultor há mais de 50 anos,  Wenceslau Gomes Soares perdeu 15 mil abelhas do seu apiário. Descobriu que a causa estava no terreno vizinho, onde cinco espatódeas haviam florado. Portanto, caso seu imóvel fique perto de algum apiário, dê preferência a outras plantas, como cajueiro e mangueira. Pois precisamos das árvores, mas também das abelhas que as polinizam.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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