Desastre ambiental: viva os voluntários!

Sinceramente, não sei o que seria do Litoral de Pernambuco, se não fosse a ação heróica do voluntariado que, mesmo sem dispor de equipamentos de segurança, os chamos EPIs, meteu a mão na massa (arriscando a própria saúde), para  reduzir os efeitos do vazamento de óleo nas  praias do Estado. E são eles que estão fazendo a diferença, porque somente na terça-feira, o governo federal ofereceu ajuda, trazendo efetivo das Forças Armadas para ajudar no recolhimento do produto poluente, quando grande parte do litoral afetado já havia passado pela faxina popular. O Governo de Pernambuco está se virando como pode.

Nessa quarta-feira, mas dois municípios foram afetados: uma no Litoral Sul e outra no Litoral Norte. Jaboatão dos Guararapes, onde o óleo começou a chegar nas primeiras horas da manhã na praia de Barra de Jangada. O segunda foi Paulista, onde a praia do Janga virou um mar escuro.  As duas cidades são da Região Metropolitana. O Governador Paulo Câmara (PSB)  teve reunião de manhã com secretariado e pesquisadores. E agora à tarde, encontra-se com prefeitos de cidades afetadas.

Enquanto é confortante observar-se a mobilização da população, é muito triste saber que foi preciso uma ação do Ministério Público Federal e uma determinação da Justiça Federal, para que as autoridades federais competentes fizessem o que já tinha de ser feito há mais de 50 dias, quando as manchas começaram a aparecer nas praias do Nordeste. Em Pernambuco, já somam nove as cidades afetadas, que têm em paraísos tropicais – como a Praia dos Carneiros e Muro Alto – seus principais ativos econômicos. O governo estadual está fazendo a sua parte. Além das ações de limpeza, Câmara acaba de lançor edital no valor de R$ 2,5 milhões para financiar 12 projetos que possam avaliar o impacto do maior desastre ambiental ocorrido no estado. Os estudos devem sugerir caminhos para minorar a consequências do desastre ambiental.

Em Barra de Jangada, com a ajuda do voluntariado, foram retiradas cinco toneladas de óleo em apenas quatro horas. O fato é que, no início da tarde, a areia já estava branquinha e a preocupação eram as mini partículas do óleo que ficavam no chão ou em suspensão na água. Ao todo, 500 voluntários atuaram, a maior parte com os chamados EPIs. No Janga, no entanto, o óleo chegou no final da manhã de hoje, e – como vem ocorrendo – a população se mobilizou para fazer a limpeza, com muita gente sem os EPIs. O Secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, recomendou aos banhistas que não tomem banho de mar por enquanto em praias afetadas pelo óleo. E expediu recomendação, para que o voluntariado não se exponha a riscos.  Quem estiver trabalhando, tem que usar botas, luvas e máscaras. Ou seja, tem que proteger a epiderme e também o nariz pois o material, altamente poluente, emite gases principalmente em contato com o calor podendo prejudicar as vias respiratórias.

Na terça-feira, o Ministro da Morte Ambiente, Ricardo Salles, esteve no Recife, e não deixou nenhuma autoridade satisfeita. Até porque o governo federal só apareceu mais de 50 dias depois das primeiras manchas terem surgido. Uma omissão sem perdão. E o material fornecido não é suficiente e até mesmo as boias de contenção solicitadas pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco não foram entregues em quantidade necessária. Representantes do Ibama chegaram a sugerir que seu uso seria inócuo. Pode? Ou seja, uma omissão que dificulta ação para blindar os estuários pernambucanos, que funcionam como berçários da vida marinha. Nesse momento, o Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB encontra-se reunido com representantes dos municípios atingidos, para discutir novas ações de enfrentamento do problema. Até agora, são nove os municípios afetados: São José da Coroa Grande, Rio Formoso, Sirinhaém, Barreiros, Tamandaré, Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Paulista.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: WhatsApp e SEI

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