O Recife da paisagem mutilada

Acabou.  A amendoeira (foto), que ficava em frente ao belíssimo prédio da Associação Comercial de Pernambuco estará para sempre restrita aos cartões postais e à memória afetiva do recifense. Sua reposição não será feita. A planta que se integrava à paisagem no entorno do Marco Zero ameaçava cair. Por esse motivo, foi suprimida. É o que informa  a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), depois que  o #OxeRecife denunciou a sua erradicação (Parem de derrubar árvores 203). Infelizmente, não haverá mais outra em seu lugar. O que é uma pena. Porque, assim, o Recife vai perdendo o verde e, também, um pouco de sua identidade. Quantas pessoas já contemplaram aquela paisagem, e  curtiram sua foto nos guias turísticos e nas redes sociais?

A Emlurb informou que como “compensação ambiental” pela supressão da Teminalia catappa (esse o seu nome científico), foram plantadas oito mudas de pau-ferro no canteiro central da Avenida Martin Luther King. E também mais dois sapotis de praia, no Cais da Alfândega.  Muito bom fazer a compensação. Mas ela não será suficiente para recompor a paisagem mutilada. A supressão da amendoeira, que tanto encanto atribuía ao Bairro do Recife gerou muitos desabafos entre os leitores do #OxeRecife. A Emlurb informou que a avaliação da árvore foi realizada com o Ultrassom Arbóreo, que faz uma espécie de raio X dos vegetais.

E o aparelho detectou “um grande risco”, à “altura do imóvel número 18 da Av. Alfredo Lisboa”, justamente o prédio da ACP. De acordo ainda com a Emlurb, havia “inconsistência interna da base da árvore, associada à sua inclinação e localização geográfica que a expõe a ventos fortes”. Com isso, era grande o risco de queda. Também observou-se “inconsistência” a cinco metros do solo, por conta de cupins. Além de lesões no tronco, a amendoeira tinha “comprometimento de sustentação da copa na sua haste mais volumosa, com 30 centímetros de diâmetro e um metro de profundidade”. Conforme a avaliação, tudo isso comprometia a sustentação da copa, a sete metros de altura e com mais de uma tonelada de peso”.

Os leitores do #OxeRecife, como a titular desse Blog, não gostaram nem um pouco da retirada da árvore. “A Prefeitura corta as árvores doentes e por que não planta outras? É esperando uma foto do Prefeito com a nova árvore sendo plantada?”, ironiza Jailde Cavalcanti. “Um dia, as árvores eram abundantes nessa nobre  área. como registram as fotos de Mário Carvalho, que ilustram a coletânea Pernambuco Frevando para o Mundo“, lembra Fábio Cabral de Mello, o Fábio PassaDisco, outro amante da natureza. Funcionário da Secretaria de Turismo do Recife, Bráulio Moura conta o motivo da degola: “Lembro que essa árvore estava doente, com risco de desabar, podendo causar acidente, inclusive mortes”. E ratificou: “Foi condenada por especialistas e teve que ser cortada”.  Tá bom. A gente entende que a vida árvore, como de qualquer ser vivo, tem começo, meio e fim. Mas custa perguntar: Por que não se coloca outra planta no mesmo lugar?

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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