E o turista, como é que fica?

Turismo como? É verdade que hoje tem GPS, Weze, Google Maps e uma infinidade de aplicativos que podem orientar os viajantes, em qualquer lugar do mundo. Mas nem por isso a sinalização deixa de ser importante em nossas ruas. Até porque costumam ter, em poucas linhas, uma informação mastigada e resumida que nem sempre a Internet facilita. E, por questões de segurança, não é em todo lugar que no Recife se pode estar dando sopa com celulares e tablets à mostra, em busca de informações que deveriam estar nas pontes, nos monumentos, nas praças, nas ruas.

No último sábado estive em um passeio a pé com o Grupo Caminhadas Domingueiras Olhe pelo Recife . E terminei me defrontando com um problema para o qual já tinha chamado atenção aqui no #OxeRecife: desencontros, superposições e omissões na sinalização turística.  Lamentável que ocorra, ainda mais em épocas como a semana em que o Recife fervilhou com o REC’n’Play, evento no qual estava inserido o passeio para uma discussão sobre Visão de Futuro para a Ilha de Antônio Vaz, discussão comandada no sábado pelo arquiteto, consultor e urbanista Francisco Cunha. A Ponte Maurício de Nassau (foto acima), cuja história é tão importante no Recife, permanece com informação zero, tal qual já tínhamos chamado a atenção aqui ( ver links no Leia Também). O suporte até que está lá. Mas cadê a descrição da ponte? Do outro lado do rio Capibaribe, no entanto (no Cais da Alfândega) a placa está bem boas condições. Ainda bem.

Na Rua do Bom Jesus – uma das mais visitadas por turistas – a placa também não tem quem consiga ler. Como uma via tão importante  para o Recife desde os seus primórdios e que ostenta relíquias da história – como a primeira Sinagoga das Américas – pode estar sem sinalização? É exatamente o que está ocorrendo, conforme vocês podem observar nas fotografias. Tem mais, o prédio em estilo eclético que é um caso único no Brasil de edifício que chegou a ter duas fachadas simultaneamente, está nas mesmas condições. O Luciano Costa fica na esquina onde da- Marquês de Olinda com a Maria César. Foi concluído em 1910, com belíssima fachada em estilo eclético. Nos anos 1950, seus proprietários pediram ao arquiteto Delfim Amorim (1917-1972), que fizesse uma reforma que lhe desse uma fachada modernista.

Ciente do valor da construção original, ele idealizou uma fachada vazada, com combogós, sobre a estrutura antiga. E que terminou sendo removida, para valorizar a fachada original. Então, com a informação, o prédio não fica muito mais interessante para os turistas? Outro caso emblemático, com placa também danificada, é o Mercado Público de Casa Amarela, geralmente esquecido, quando não devia ser. Primeiro, é um exemplar da arquitetura do ferro tal qual o tradicional Mercado de São José. Segundo, sua história é curiosa:  ele funcionou originalmente no bairro de Caxangá, Zona Oeste do Recife. Foi desmontado em 1928, e em 1930 seria inaugurado na esquina da Rua Padre Lemos com a Estrada do Arraial, sendo hoje um dos monumentos de maior interesse daquele bairro  (os outros são o Sítio Trindade e o Morro da Conceição). Podendo ser, portanto, o primeiro caso de transplante urbano no Recife.  E, no entanto, se for depender da placa que lá está, ninguém vai saber de nada disso. Gente, o Recife precisa ser amado!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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