Parem de derrubar árvores (203)

O alerta partiu de uma amiga que, como eu, ama as árvores. E que, como boa parte da população do Recife, não consegue compreender a “política de arborização” do município. A cada dia aparece uma árvore guilhotinada, pois o a gente sempre encontra “tamboretes” em ruas, parques, jardins. Ou seja, troncos degolados, cujos restos mortais nem sempre são removidos.

As calçadas estão virando  verdadeiros cemitérios de árvores decepadas no Recife, vitimas do arboricídio. A guilhotina acusada hoje pelo #OxeRecife fica em lugar bem conhecido e badalado, a Avenida Alfredo Lisboa, à altura do Marco Zero. Prestem atenção na foto acima, à esquerda. A fotografia foi feita por mim no mês de fevereiro, dias antes do carnaval de 2019. Mas nesta semana, minha amiga e leitora Maria Carvalho alertou. “Letícia, estive no Marco Zero, e tomei um susto com o clarão em frente à sede da Associação Comercial de Pernambuco”, disse-me . “Deram fim a uma árvore que tinha na frente da ACP”, reclamou. A árvore era essa, linda, como vocês vêm na foto, em época de pré-carnaval, com o Bairro do Recife cheio de turistas, em um dia de semana. Nem chegava a obstruir a bonita fachada da ACP. Mas…

Olhem, agora, à direita, a foto que fiz durante a edição das Caminhadas Domingueiras Olhe pelo Recife, realizada no mês de maio, tendo como tema o estilo eclético na arquitetura do Recife.  Perceberam? A árvore ficava à direita, em frente ao prédio da ACP. E onde foi parar? Sumiu. Vítima da motosserra insana!  Menos uma. Triste notícia , para quem ama a natureza.

A árvore, como vocês observam, ficava quase na esquina  da Alfredo Lisboa com a Rua Governador Barbosa Lima. Agora, como diz Maria, “só tem o clarão”. No Marco Zero – antes de sua transformação naquele pátio com a Rosa dos Ventos de Cícero Dias –  havia muitas árvores, chamadas popularmente de castanholas. Foram suprimidas. Em seu lugar, ficaram algumas palmeiras

 

No sábado, passei no local, em um roteiro do REC’n’Play com o Grupo Caminhadas Domingueiras Olhe pelo Recife. Aproveitei  que estava perto, e fui visitar a “cena do crime”. Realmente, a árvore foi mais uma vítima de arboricídio. Foi assassinada, e a cova rasa ficou vazia no local. A planta marca presença em inúmeras fotografias sobre aquele cartão postal do Recife. Agora, ex cartão postal.

Vai mal, aliás, a presença do verde  no Bairro do Recife que está caminhando, a passos rápidos, para se transformar em mais uma ilha de calor da cidade. Reposição exemplar, ali,  ficou por conta de uma palmeira, que foi erradicada no início deste ano, da Praça do Marco Zero, bem pertinho do carnaval.  Foi montada uma verdadeira operação de guerra para fazer reposição com uma outra, já adulta e, portanto, com chance de sobrevivência. Mas o caso da palmeira, às vésperas do carnaval e com a cidade cheia de turistas, foi exceção da regra. Deve ter sido por influência do Rei Momo.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife 

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