A volta das cartas e dos postais

Quando eu era criança, lembro de coleções de postais que tinham minhas tias, alguns deles herdados de antepassados. Eram tão bonitos que, de alguns, nunca esqueci. Posteriormente, vi algumas exposições sobre o assunto, no Instituto Ricardo Brennand e da Caixa Cultural. Lembro que falei sobre postais com uma criança de seis anos, e ela indagou: “O que é isso?”. Foi quando entendi que, com o advento da Internet, cartas e postais viraram relíquias. Peças de Museu.

Por esse motivo, acho muito interessante o resgate da antiga prática, por parte de educadores da Escola Municipal do Coque, em projeto que terminou projetando internacionalmente o colégio. Com cartas e postais, alunos do terceiro ano daquela escola passaram a se comunicar mais e melhor, e até desenvolveram melhor o hábito da escrita e também o da leitura. O Projeto Das Cartas aos Postais: Mostrando a Nossa Cidade foi apresentado na Colômbia.

No mês de setembro passado, ele chegou à Feira Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Feictin), que aconteceu naquele país. E lá o projeto foi credenciado para participar de um outro evento, no Paraguai, em 2020. O trabalho com as Cartas foi uma oportunidade para que os estudantes conhecessem sobre esse objeto de correspondência que por muito tempo foi a principal forma de comunicação entre as pessoas. O projeto propôs a escrita de cartas pessoais e cartões postais como uma estratégia para que os alunos pudessem escrever textos reais para leitores reais, buscando uma autonomia e uma escrita significativa.

Os leitores reais foram os estudantes da Escola Mestre Vitalino, do Alto do Moura, em Caruaru, cidade localizada a 130 quilômetros do Recife. Assim, os alunos trocaram cartas sobre as duas cidades, descrevendo cada uma delas. E, quanto aos postais, foram por eles mesmos ilustrados. Posteriormente, os alunos do Recife conheceram seus colegas, em Caruaru. E vice-versa. Assim como os pontos turísticos das dus cidades.

 

De acordo com a coordenadora pedagógica da Escola Municipal do Coque, Ana Paula Alcântara, o interesse das crianças foi intenso e envolveu a família e os professores, que ajudaram pesquisando cartas e postais antigos recebido por eles. “Foi um projeto que nos emocionou pois revisitamos lembranças e memórias nossas e de familiares. Foi um projeto que envolveu muito afeto”, comentou Ana Paula. A professora orientadora do projeto, Maria do Rosário Neves acredita que ele contribuiu em muito para que as crianças que ainda não liam, desenvolvessem a habilidade. “Todas as crianças envolvidas conseguiram aprender a ler”.

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Fotos: Divulgação / PCR

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