Agricultura, veneno e genocídio

Como se não bastassem a morte de tantas árvores – via queimadas e extração irregular de madeira em nossas matas –  agora somos nós que estamos à beira de um genocídio. Aliás, não só nós  (os humanos), mas também os animais:  as aves, os mamíferos, os répteis, os insetos. Incluindo aí, as abelhas. Estas estão morrendo aos borbotões por conta dos venenos utilizados na agricultura. Se o Brasil já tinha uma política frouxa de fiscalização no que diz respeito aos agrotóxicos, a situação está agora cada vez pior. É que, em 2019, o governo federal liberou até o momento nada menos de 353 agrotóxicos. O número configura um recorde na década, em se tratando do  período que vai de janeiro a setembro. Um verdadeiro caminho para o genocídio.

O levantamento comparativo foi feito pelo Greenpeace, no período de 1 de janeiro a 17 de setembro, data do último lote de liberações, quando  mais 63 venenos obtiveram concessão de registro. Entre os “matadores” com autorização para o mercado encontram-se a Atrazina, que está banida da União Europeia desde 2004, e que é apontada por causar hermafroditismo nos sapos. O fenômeno pode reduzir a população desse animal, tão importante para o controle biológico de pragas. Tem mais, se ele faz isso nos sapos, o que fará conosco? Alguém se arrisca a responder? Um outro veneno, o Clopirifós tem sido ligado à deficiência mental em fetos e é acusado de reduzir o QI de crianças. Dê, portanto, preferência a produtos orgânicos (foto acima), para saber o que está comendo. Nossa saúde não tem preço.

Os venenos prejudicam quem aplica, quem consome os alimentos contaminados e prejudica o equilíbrio biológico..

“Não é razoável empurrar goela abaixo para a população um sistema que a envenena cada vez mais e que compromete o seu futuro e o futuro da sua alimentação”, afirma Maria Lacorte, Coordenadora da Campanha de Agricultura do Greenpeace Brasil. “Nunca se aprovou tanto veneno no Brasil como agora. O ritmo das aprovações de agrotóxicos é de longe, o mais acelerado da década. Vejam o levantamento da série histórica feita pelo Greenpeace, em relação às liberações de agrotóxicos nos nove primeiros meses dos anos da última década: 2019 (353), 2018 (305), 2017 (240), 2016 (148), 2015 (96), 2014 (79), 2013 (86), 2012 (119), 2011 (90), 2010 (71).

Lembrem-se: de todos os produtos liberados, 32 por cento contêm ingredientes totalmente proibidos na União Europeia. Ou seja, no setor defesa de  saúde da população e da natureza, o Brasil está em atraso, quando comparado a outros países. Sendo assim, o que será das exportações agrícolas do nosso país, se nossos produtos estarão contaminados com venenos não admitidos lá fora?  Talvez quando isso acontecer e pesar na balança comercial, as nossas autoridades enxerguem o tamanho da besteira que estão fazendo. Isso, muito depois de brasileiros terem ido parar no cemitério por manipulação ou ingestão de substâncias tóxicas. Ou seja, enquanto as restrições externas ainda não acontecem, os brasileiros podem estar sendo vítimas de um silencioso e contínuo genocídio. Portanto, não compre hortigranjeiros sem que saiba a procedência. Ainda hoje, o #OxeRecife explica como comprar e onde  produtos agrícolas isentos de veneno. E  traz a relação de feiras orgânicas do  Grande Recife. Confira, às 18h. Pronto. Está dito.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Internet

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