Parem de derrubar árvores (199)

Seis árvores foram derrubadas na área onde está sendo construído o colégio GGE, no bairro do Parnamirim, Zona Norte do Recife. No terreno de 4.535 metros quadrados, antes havia 17 plantas adultas. A direção do empreendimento garante, no entanto, que 16 serão plantadas na área verde da escola. E que 50 mudas (com 2m40cm) foram doadas à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, como forma de compensação ambiental. Não foram fornecidas informações sobre o destino dessas plantas.

“O empreendimento contemplará vários investimentos a exemplo , do meio ambiente natural o que é entendido como um forte ativo pedagógico”, informa o GGE, em nota enviada ao #OxeRecife. “Os mais de 2.000 metros quadrados de área verde como da mesma forma as 27 árvores do conjunto final são determinantes para o caráter da futura edificação”, argumenta. A construção do colégio tem provocado uma série de polêmicas e protestos na Zona Norte do Recife, onde os moradores questionam os estudos do impacto que o empreendimento de grande porte trará à região. O assunto chegou a motivar uma reunião na Câmara Municipal, na quarta-feira, quando a comunidade sugeriu medidas mitigadoras, que amenizem problemas que vão das dificuldades no trânsito à poluição sonora.

Apesar dos protestos dos moradores, o GGE assegura que “não produz novos fluxos, mas sim transfere e retém parte dos fluxos já existentes”, baseado em estudos “de empresa especializada” que concluiu “pela não alteração dos atuais níveis de serviço da maioria dos interseções estudadas”. O Grupo Amigos do Parnamirim, no entanto, alega que os estudos e os números oferecidos têm como base realidade defasada. A abertura do colégio deve acontecer em 2021, quando receberá mais de 900 alunos por dia. Na reunião realizada na quarta-feira, a convite do vereado Jayme Asfora (sem partido), os empreendedores não informaram o total do investimento. A falta de transparência dificulta o planejamento de medidas mitigadoras, principalmente as apresentadas pela população.

Isso porque a lei prevê que até dois por cento do total gasto na construção seja utilizado em intervenções que amenizem o impacto por ela provocado. Sem saber o total gasto na obra, a comunidade fica sem base exata para a cobrança de intervenções que amenizem o impacto provocado pela obra. A construção  terá 6.871 metros quadrados, com altura de 15,30 metros, e cinco pavimentos. As vagas para estacionamento, no entanto, não chegam a 60 (para carros) e 12 (para bikes). O colégio deverá ter 140 servidores, entre professores e funcionários das áreas administrativas. O GGE Parnamirim terá duas entradas: uma pela Desembargador Góis Cavalcanti (uma das mais estranguladas da Zona Norte) e outra pela Rua  Abraham Lincoln (foto), que é curta e, segundo os moradores não comporta um empreendimento do porte do GGE.

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Texto e foto:  Letícia Lins / #OxeRecife

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