GGE: “Amigos no Parnamirim” cobram transparência e respeito às leis

Falta de transparência, falhas no planejamento, infraestrutura inadequada, desrespeito à legislação, e insuficiência de ações mitigadoras para o tamanho do impacto que o empreendimento provocará na Zona Norte. Essas são os principais problemas apontadas pelo Grupo Amigos do Parnamirim diante da construção de uma unidade do Colégio GGE na Rua Desembargador Góis Cavalcanti, uma das mais estranguladas daquela região. A obra encontra-se em estado avançado, mas tem gerado muita confusão. Moradores se queixam de não terem sido ouvidos e cobram “respeito à lei e à comunidade” (foto), principalmente partindo de uma instituição educacional.

A construção do GGE foi o motivo de reunião realizada hoje na Câmara Municipal, a convite do Vereador Jayme Asfora (sem partido) e por solicitação da comunidade. A preocupação dos moradores faz sentido: o colégio terá cinco pavimentos, mais de quinze metros de altura e pelo menos  6871 metros quadrados de área construída.  Deve funcionar a partir de 2021, quando movimentará por dia 900 alunos, e mais  140 pessoas entre professores e funcionários (sem falar nos pais que, normalmente, vão de carro deixar os filhos). Além da Desembargador Góis, terá uma outra entrada pela Rua Abraham Lincoln, cujos moradores temem as consequências do aumento de demanda de espaço nas ruas, água, esgoto, entre outros.

Construção de colégio é irreversível, mas ainda há tempo de negociar ações mitigadoras consistentes.

“O que causa estranheza é a metodologia que foi usada para dizer que essa obra não provocará impacto. Moro ali há 28 anos, e antes saía de casa às 7h30m para levar as filhas no colégio. Hoje saio às 6h30m e o trânsito já está um inferno”, afirma Ricardo Pernambuco, professor universitário aposentado, que desconfia da manipulação dos números apresentados, baseados nos quais empreendedores e prefeitura minimizam seus efeitos. “O empreendimento é de enorme impacto. Teremos poluição sonora absurda, a rua Abraham Lincoln vive alagada a qualquer chuva, e tem sempre esgoto estourado”, acrescenta. “Resta saber como se comportará essa infraestrutura com 1.200 pessoas precisando por exemplo, de saneamento”, afirmou. Ele reclamou, também, que embora o colégio vá impactar a vida de cerca de 30 mil a 40 mil pessoas que moram na área, “ninguém soube antes desse empreendimento”, nem foi ouvido como deveria.

“Não queremos inviabilizar o empreendimento, mas questionar a forma como ele está sendo colocado para a população”, afirmou Sílvia Couceiro, para quem o licenciamento da obra foi feito em surdina. “Só na semana passada (quando as bases de concreto já estavam expostas) é que foi colocada a placa com as informações necessárias ”. Ela reclamou, também, que os empreendedores tentam insinuar que os integrantes do Grupo Amigos do Parnamirim estão só preocupados com a mobilidade da área. “Como um equipamento que pretende formar cidadãos, tenta desqualificar o nosso movimento?”, indagou ela. “A gente quer participar da discussão e a mobilidade não é o único problema”, disse. “É apenas um deles, e não se pode reduzir nossa mobilização a isso”.

Vereador Jaime Asfora (de terno) vai enviar demandas dos moradores do Parnamirim à Prefeitura: cumprir a lei

Como a legislação prevê que entre 1,5 a 2 por cento do valor da obra seja utilizado em ações mitigadoras, os moradores questionaram o GGE quanto ao valor do empreendimento e qual o total destinado a  intervenções que minimizem o seu impacto. Mas o arquiteto que assina o projeto, Bruno Ferraz, preferiu não citar números e deixar o questionamento sem resposta.  Lembrou, entre as ações mitigadoras, a instalação de seis semáforos inteligentes na área, no valor de R$ 300 mil. O GGE se compromete, também, a “promovera manutenção preventiva de veículos e equipamentos utilizados para evitar emissões abusivas de gases e ruídos na área trabalhada”. E também:  “molhar as áreas expostas do solo ou em terraplanagem para diminuir a emissão de poeiras fugitivas” assim como “priorizar fornecedores de maior proximidade, para que o abastecimento seja feito fora dos horários de pico”.

Os Amigos do Parnamirim consideram as ações mitigadoras insuficientes. Quase nada. Em nome de moradores de Parnamirim, Casa Forte e Casa Amarela, Daniel Valença sugeriu ampliação das calçadas do entorno, implantação de faixa azul nas principais vias da região com circulação mais livre para o transporte escolar, tornar de mão dupla as ciclofaixas da Zona Norte, conexão de ciclofaixas para fluxo melhor. Ele integra os Grupo e também é um dos coordenadores da Ameciclo. Jayme Asfora  disse que havia enviado um ofício à Prefeitura, solicitando que a obra parasse, para que os moradores fossem ouvidos e melhor adequação do projeto. Mas não foi atendido. Por esse motivo, fará um relatório sobre as demandas da população para remeter aos órgãos competentes.  Além das ações mitigadoras, defende correções e incoerências do projeto, inclusive do ponto de vista legal.  Um exemplo:  o número de vagas  projetadas no estacionamento (56) é inferior ao mínimo exigido em lei, segundo o vereador. Outra contradição: o GGE diz que vai estimular o uso de bicicletas por parte de alunos e funcionários. Adivinhem quantas vagas foram criadas para bikes…doze. Realmente…

Amanhã, aqui no #OxeRecife, será detalhado o projeto do GGE, pela versão do colégio.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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