Lojão e colégio: confusão na Zona Norte

Está a maior confusão na Zona Norte. Moradores do Poço da Panela, Casa Forte, Parnamirim, Casa Amarela e outros bairros da região estão mobilizados contra dois empreendimentos que devem provocar grande impacto na área, incluindo no trânsito. Ambos ameaçam piorar ainda mais a mobilidade naquele pedaço do Recufe, já totalmente congestionado e com diversos pontos de estrangulamento.

Um empreendimento é o Atacado dos Presentes. Embora a obra não tenha sido iniciada, a construção é fato consumado, segundo foi informado a moradores do Poço da Panela, durante reunião com representantes da empresa e da Prefeitura. E da qual participou, no mês passado, o Secretário de Controle Urbano e Mobilização, João Braga. O lojão ocupará um terreno de 12 mil metros quadrados, cuja frente fica para a já congestionada Avenida Dezessete de Agosto. E a lateral  dará para a Avenida Dr Seixas (foto abaixo) que, de avenida, só tem mesmo o nome: é uma via residencial, curta e estreita e sem calçamento, com calçada só de um lado. E que, aparentemente, não comporta o volume esperado de mais de 2 mil carros por dia. Moradores correm contra o tempo para impedir a obra.

Residencial, sem calçamento e com calçada só de um lado, a Av Dr Seixas pode não comportar o trânsito do Atacado.

O Presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos,  entrou na briga contra o projeto, mobilizando a Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional Pernambuco) e o Ministério Público contra o empreendimento. Também criou uma comissão técnica para acompanhar o andamento do projeto. Ele alega que a situação atual é semelhante à ocorrida com o Supermercados Carrefour, que tentou implantar ali uma loja, sendo impedido por decisão do Tribunal Regional Federal da Quinta Região. É que para construir o empreendimento, a rede de supermercados derrubou o secular edifício da Casa de Saúde São José, o que motivou condenação ao município e ao Carrefour por “abuso de conduta indevida”, quanto à demolição do imóvel, um verdadeiro patrimônio arquitetônico, que existia no terreno.

Moradores do Poço acham que o projeto do Atacado ofende as características  arquitetônicas do bairro histórico, um dos mais bucólicos do Recife. E que também provocará impacto ambiental.  O outro empreendimento em discussão já está sendo erguido no Parnamirim. É um prédio de 15,30 metros de altura. Trata-se de mais uma unidade do colégio GGE, em construção na Rua Desembargador Góís Cavalcanti, perto do girador do Parnamirim, onde fica um dos trechos mais estrangulados da Zona Norte. O colégio vem sendo construído no terreno (nº 452), onde funcionou o comitê eleitoral do Governador Paulo Câmara (PSB). Terá 6.871 metros quadrados de área construída, em terreno de 4.535 metros quadrados. Serão cinco pavimentos (incluindo o térreo). E o acesso principal se dará pela Rua Abraham Lincoln que, como a “Avenida” Dr Seixas (do Poço), é uma rua curta e residencial, aparentemente incompatível com o movimento que terá que enfrentar. Tem mais, qualquer chuvinha, ela alaga e não é raro que apresente esgotos estourados, segundo os residentes no local.

E o mais preocupante: pasmem, o colégio terá 900 alunos e um número ainda não divulgado de professores mas o estacionamento terá apenas 59 vagas. No caso do Poço, moradores se mobilizam para que o terreno em questão seja desapropriado e transformado em área de convivência para a comunidade:   Já os integrantes do Grupo Amigos do Parnamirim participam de reunião na quarta (18 de setembro), no plenarinho da Câmara dos Vereadores, para discutir o caso GGE. O encontro foi proposto pelo vereador Jayme Asfora (sem partido), e deve começar às nove horas. Moradores acusam os órgãos públicos de agirem em surdina, para facilitar a construção do colégio, sem consultar a população e sem os devidos estudos sobre o impacto que o empreendimento provocará. A  mobilização da vizinhança, no entanto, parece ter começado tarde, pois o prédio já está com as estruturas de concreto erguidas. E sobem rapidamente. E agora?

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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