Branca Dias “retorna” ao local que viveu

Figura lendária,  e mulher de muita fibra para os padrões do seu tempo –  em Portugal, soube  até enfrentar a Inquisição –  Branca Dias está de volta.  Ao palco, claro. Quem quiser conhecer melhor a sua história, tem mais uma chance. É que nos dias 13 e 15 de setembro, o espetáculo Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá será reapresentado. E o local não poderia ser melhor: o Casarão de Maria Amazonas, em Camaragibe, em terras onde Branca Dias viveu,  à época um grande engenho que, dizem, se estendia até onde fica hoje o Parque Estadual de Dois Irmãos (Pedi), no Recife.  E em cujo açude – o do Prata – ela teria jogado suas pratarias e baixelas, para não dar o prazer à Inquisição de ficar com seus pertences. O Santo Ofício era, então, uma iminente ameaça  aos que professavam a fé judaica no Brasil.

Já assisti ao espetáculo no Recife. E recomendo. Mas acho que vou ver de novo, por conta do clima, do ambiente onde Branca realmente viveu. E onde, dizem, vez por outra aparecem assombrações que seriam de Branca. O texto é baseado na história real da portuguesa Branca Dias e de sua luta para se manter fiel à fé judaica. Ela já enfrentara a Santa Inquisição em Portugal, o que lhe rendeu uma passagem pelo cárcere. Também se deparou com o preconceito e a intolerância no Brasil, onde a Inquisição chegou  após sua morte. “Branca Dias é uma mulher forte e destemida, porém cheia de conflitos”, informa a produção da peça. A encenação retrata emoções intensas, seu senso de justiça, a fé inabalável na Torá, e a culpa de ter que apresentar um credo religioso diferente.

É que quando representantes da Igreja Católica se aproximavam de sua casa de engenho, Branca Dias ostentava uma cruz na frente da residência. Mas no interior, mantinha os rituais judeus e  seu credo na Torá. O texto também trata de sua amizade com Bento Teixeira, que foi quem a orientou na instalação de uma escola particular,  cujas mensalidades cobradas aos alunos serviram para capitalizar o engenho da família, que enfrentava problemas econômicos. Brava Branca Dias!

A direção é de  Emanoel David D´Lucard, que procurou uma montagem criativa, que não exigiu grandes recursos mas que dá muito bem conta do recado. Não é à toa, portanto que Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá, está completando sete anos de constantes apresentações, com sucesso de público e crítica, já tendo percorrido várias cidades brasileiras e até se apresentado no exterior. Em  setembro  de 2019 a produção faz homenagem ao Senhor Rivaldo Borba, historiador,   fotógrafo , e serviços prestados a história e a cultura de Camaragibe-PE. O texto é de Miriam Alfim e a produção da Companhia Popular de Teatro de Camaragibe, grupo bem atuante nas artes cênicas daquela cidade.

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Serviço :
Peça: Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá
Local: Pátio Externo do  Casarão de Maria Amazonas, Av. Belmino Corrêia, s/n. Centro, Camaragibe-PE.
Quando: 13 e 15 de de setembro de 2019, sexta-feira e domingo
Horário: 19h
Duração: 80 minutos
Ingressos: Inteira:R$:30.00 e Meia: R$:15.00
Informações: 81 99536-4746

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Companhia de Teatro Popular de Camaragibe

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