Show sobre África percorre Nordeste

Depois de apresentar-se em várias cidades com o  maravilhoso show Pernambuco é Meu Canto, o Grupo Blue Jeans – do Conservatório Pernambucano de Música –  prepara-se, agora para excursionar pelo Nordeste com o novo recital, o Negro em Cada Canto, através do qual convida o público para fazer uma viagem musical pela influência afro nas três Américas. O novo repertório foi mostrado hoje no Projeto Música no Palácio, percorrendo desde os sons dos nossos ancestrais escravizados até o maracatu e o frevo, não sem antes passar por ritmos como o jazz, o funk, o gospel, a cumbia, o calypso, e o reggae. E, claro, o samba.

O grupo atraiu muita gente Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual que, mensalmente, abriga concertos do CPM.  Uma hora antes,  já tinha gente na calçada, esperando  a abertura dos portões, para garantir lugar sentado, já que a última apresentação do grupo deixou muita gente em pé. Hoje o Blue Jeans repetiu a dose, lotando o saguão do prédio histórico. Foram  cantadas doze músicas, começando pelo Baba Yetu (Padre Nosso) da África, seguindo-se repertório  norte americano, passando pela América Central e terminando na América do Sul,  com passagem pelo samba tradicional do Rio de Janeiro, e pelo maracatu e frevo de Pernambuco. Coordenador do Blue Jeans e Professor do CPM, Ernandes Candeia confessa  ter ficado surpreso, durante as pesquisas, com o tamanho da influência africana nos sons do nosso Continente.  Algumas vezes, as músicas eram intercaladas com atrizes, que exaltavam a cultura e a herança afro e “a alegria de saber que existe um negro em cada canto”.

Ernandes também foi bem didático, pois teve o cuidado de explicar a origem de alguns ritmos. “Sons pulsantes influenciaram a MPB, pois as primeiras rodas de samba receberam influência  do batuque africano, da polka e do maxixe“. Lembrou que o calypso surgiu em Trindad e Tobago e que depois espalhou-se pela Venezuela, influenciando o Norte do Brasil, incluindo estados como o Pará. Não é à toa, portanto, que uma das bandas mais famosas daquele estado se chama Calypso, lembrou. O show contemplou músicas bem populares  e incluiu algumas curiosidades como o tema musical do filme A Pantera Cor de Rosa (na referência ao Jazz) e a clássica Guantanamera, que surgiu entre os camponeses de Cuba, virou sucesso no mundo e transformou-se em música universal.  Um clássico. Ele anunciou que o novo recital do grupo já tem agendadas apresentações em Maceió e em Natal.

Confira, no vídeo, um pedacinho do show de hoje (Guantanamera)


 

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Texto, foto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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