Rua da Palma: “quiosque” ou barraco?

Começou a ação de limpeza no entorno do Mercado de São José, com a remoção de barracas que transformaram aquela parte histórica do Recife em uma bagunça que nem de longe lembrava  um centro comercial. Sujeira, mobilidade zero, calçadas ocupadas e cheias de buracos, calçamento irregular, um horror. Sei que as pessoas precisam trabalhar, ganhar o pão. Mas não devem avacalhar a cidade, emporcalhar ruas e calçadas, como vinha ocorrendo no quarteirão onde fica aquele monumento histórico, o mais antigo mercado público ainda em funcionamento no Brasil e também primeiro exemplar da arquitetura de ferro construído no País.

Mesmo assim, vivia no meio da desordem urbana, que caracteriza o Recife. Turistas reclamavam. E o problema não é só no Bairro de São José não. Vejam só a foto lá de cima. E olhem para essa aí do lado esquerdo. São “quiosques” que ficam próximos. O vermelho está na Rua da Palma, bem pertinho da outrora sofisticada e hoje  cada vez mais decadente Rua Nova.

Nessas condições, sinceramente, acredito que nenhum dos dois contribuem para embelezar o centro do Recife, mais precisamente o bairro de Santo Antônio, também tão injustamente detonado. Em um lugar sério, não estariam nem funcionando. O vermelho parece uma palafita, um barraco daqueles que a gente vê cravado nos manguezais, construídos como última alternativa por quem não tem outra opção de moradia. O outro, com gradeado, sustentação de cano e telhado de zinco fica na Rua Matias de Albuquerque, também ali tão pertinho, no mesmo bairro. Vi essa bagunça na última edição das Caminhadas Domingueiras, no dia 1 de setembro.

O pior é que a gente observa esse tipo de coisa no Centro do Recife todos os dias e termina se acostumando.  Tem via mais poluída do ponto de vista visual do que a Avenida Dantas Barreto? Se o camelódromo surgiu como um meio de evitar a invasão de camelôs nos bairros de Santo Antônio e São José, já está tudo do mesmo jeito. Pior: o espaço virou um monstrengo urbano. O temor é que aconteça a mesma coisa com outros locais destinados aos ambulantes do quarteirão do Mercado de São José.  A retirada do comércio de rua mostrou  como a área estava deteriorada, tanto nas calçadas, nas ruas, quanto na Praça Dom Vital.  Infelizmente, do jeito que o Recife está, a desordem urbana e a poluição visual terminam se banalizando, e as pessoas passam a ver cenas desse tipo com naturalidade. Como se fossem normais. Mas não são. Nem aqui nem na China. E se ninguém reclama nem grita, a tendência é piorar. Por um Recife mais bonito e mais organizado!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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