Teatro andarilho na Praça do Arsenal: “Pajeú das Flores” e o rio “feiticeiro”

Movimento de resistência em defesa da cultura, o Marsenal ocupa mais uma vez a Praça do Arsenal, na noite dessa quinta-feira (29), para brindar o público com espetáculos de teatro, na base da colaboração voluntária, no melhor estilo praticado por artistas de rua.  Ou seja, o ingresso é colaborativo. Cada um contribui com quanto quer, quando os artistas passam o chapéu, ao final das apresentações.

O encontro, como sempre ocorre,  será no Bar Teatro Mamulengo,  que fica na Rua da Guia, de frente para a Praça do Arsenal. Um dos focos da cultura de resistência, o Mamulengo vem servindo de porto seguro, para todos aqueles que navegam nas águas tumultuadas em que vive no momento a cultura brasileira, inclusive enfrentando a ameaça da volta da censura. Hoje a noite é especial, pois haverá um mix de três atrações, todas do atuante Coletivo Caverna. Como o teatro é de resistência, a política não pode faltar. Às 18h, tem início o evento Ocupa Política, para discutir a situação atual do nosso Brasil.

E a partir das 20h30m, serão apresentados A Chegada de Godot (com Luíz Manuel), O Inferno (com Naruna Freitas) e, por fim, prévia do Pajeú das Flores (com todo o grupo). O Pajeú das Flores é um teatro brincante, em que mescla atores, bonecos, máscaras e música executada ao vivo. Nele, artistas andarilhos convocam o público para uma viagem imaginária ao Sertão do Rio Pajeú, “um rio feiticeiro que corre ao contrário”.  O espetáculo estreia em setembro, mas serão apresentados fragmentos, na noite de hoje. O Bar Teatro Mamulengo fica na Rua da Guia, 211 (de frente para a Praça do Arsenal).

Entre os artistas do Movimento Marsenal, encontram-se Cláudio Ferrário, Ana Nogueira, Fabiana Pirro, Paulo de Pontes, Luiz Manuel, Cláudio Lira, entre outros. O Coletivo Caverna ocupou recentemente o palco do Teatro Hermilo Borba Filho, onde encenou o espetáculo Cartas, baseado na longa correspondência trocada entre os escritores Hermilo Borba Filho e Osman Lins. Inéditas, a as cartas se transformaram em livro a ser brevemente lançado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e embora escritas no século passado, são muito atuais.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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