Leite Ninho: as vacas de “brinquinhos”, que medem a “felicidade” no pasto

Novidade, gente. Um dos leites em pó mais consumidos no Brasil – e o mais gostoso –  o Ninho vai ter sua versão orgânica, a partir do mês de setembro, quando o produto chega às gôndolas dos supermercados, com tudo que tem direito. As vacas produtoras são de pasto sem utilização de adubo químico ou agrotóxico, só se alimentam de ração natural e sem transgênicos, e são tratadas com homeopatia e fitoterápicos. Porém, o mais curioso é que as  vaquinhas leiteiras,   as verdadeiras for necedoras de matéria prima para a Nestlé, agora só pastam de brinquinho.

Mas não é enfeite não. É que, como parte da jornada de desenvolvimento da cadeia de leite orgânico no País, a Nestlé “tem implantado uma série de iniciativas para a promoção do bem estar do animal”, informa a empresa. E a mais recente é justamente o brinco eletrônico, na verdade um sensor que vai monitorar “a saúde e a felicidade” da vaca, informa   a multinacional.  O brinco eletrônico integra o Projeto Cowssense, desenvolvido pela indústria no nosso país para o acompanhamento de leite orgânico. “O dispositivo coleta e fornece informações sobre as principais atividades que expressam o comportamento natural das vacas: atividade ruminal, movimento e ócio e temperatura”

De acordo com o gerente de Milk Sourcing da Nestlé Brasil, Edney Murillo Secco, por meio de um sistema de inteligência artificial, o sensor cria algoritmos através da leitura de atividades que definem o comportamento padrão de cada animal.  Os dados são enviados em tempo real para o produtor por meio de um aplicativo no celular e, se há algum comportamento que desvia do padrão, o produtor recebe um alerta pelo sistema. “São informações precisas sobre a condição do animal, que permitem o produtor tomar melhores decisões sobre a gestão do rebanho, com mais eficiência e autonomia completa.  Um exemplo de indicador de bem-estar das vacas é a taxa de ruminação. A vaca, exceto quando dormindo ou comendo, está sempre ruminando, como parte do processo de digestão, explica a empresa, mostrando como o sensor atua.

“O sensor acompanha e mede a curva de atividade dos indicadores em tempo real. Qualquer variação nos resultados permite saber se o animal está bem, em cio reprodutivo, sob estresse ou com algum problema potencial, permitindo a intervenção antes que ela possa ficar doente, se for o caso”, explica.  Hoje, 30% do volume de produção orgânica da Nestlé é monitorado e o objetivo é chegar a 100% até o final de 2020. A empresa não informou, o entanto, se o leite Ninho orgânico terá o mesmo preço do atual, pois o valor produto já está bem salgadinho para a maioria da população, com o sachê de 800 gramas sendo comercializado por até R$ 28 reais no varejo, ou a R$ 19, em promoção, cujo estoque voa das prateleiras. Ao longo desse mês, só um supermercado vendeu o sachê por valor inferior: o BigBompreço, onde o sachê era disputado a tapa, por R$ 14. Com preço assim tão inédito, comprei logo cinco, para o estoque doméstico.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Nestlé / Divulgação

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