“Arca de Noé” para corais ameaçados

Não faz muito tempo, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco denunciaram um fenômeno   no litoral do nosso Estado, provavelmente provocado pelo aquecimento global: o branqueamento de corais, que são importantíssimos para a biodiversidade dos oceanos. Pelo que se observa, o problema começa a preocupar em outras áreas. E tanto é assim, que o mega grupo empresarial Iberostar acaba de inaugurar laboratório de corais, na região do Caribe. A iniciativa, que segue padrões científicos internacionais, tem por objetivo estudar os corais e viabilizar intervenções que possam contribuir para a sua sobrevivência, já que o aumento da temperatura vem provocando doença nos corais, enfermidade que se encontra em rápida evolução, em várias partes do mundo. Para os que não sabem: os corais respondem por um terço da biodiversidade do planeta e desempenham nos mares, papel tão importante quanto o das florestas tropicais para a terra.

A doença dos corais é identificada como  Stony Coral Tissue Loss Disease (SCTLD), sigla em inglês para perda de tecido de coral Stony). E “tem deixado um rastro assustador de corais descoloridos, desde a Flórida Central, onde apareceu pela primeira vez em 2014, até o México, as Ilhas Virgens dos EUA, St. Maarten e, agora, a República Dominicana, onde chegou subitamente em março”. É o que informa – em nota – a Iberostar, multinacional com sede em Maiorca (Espanha), que atua 35 países, possui 32 mil colaboradores e atende a 8 milhões de clientes por ano. Preocupada com o destino dos oceanos (o que pode, também, afetar o movimento turístico), a empresa decidiu criar o Wave Of  Change, que resulta em iniciativas em defesa da preservação da natureza. O laboratório de corais é uma das ações ambientais do grupo.

“Não percebemos quando começamos o projeto, mas estávamos construindo uma Arca de Noé para os Corais”, afirma Megan Morikawa, Diretora de Sustentabilidade da Iberostar. Ela é Bióloga Marinha com doutorado em restauração de corais. O laboratório servirá de refúgio para os corais ameaçados do Caribe. E as espécies também poderão ser observadas por turistas, com enfoque na educação ambiental para crianças. O laboratório é um banco genético, protegido dos furacões no mar cada vez mais destrutivos, onde vive a maioria dos viveiros de recife. Além disso, extrai a água salgada dos poços, não do oceano, protegendo-o de doenças de coral de rápido desenvolvimento e de grande amplitude, como a SCTLD.

O laboratório permitirá aos pesquisadores simular com precisão condições oceânicas futuras para, então, desenvolver e criar espécies de corais resistentes ao calor que poderão vir a reforçar os recifes em dificuldade que sustentam populações inteiras de peixes e protegem os meios de subsistência costeiros.  A bióloga informa que percebeu a praga subaquática quando, juntamente com a sua equipe, planejava a instalação do novo laboratório de corais na República Dominicana.“Atuando a um ritmo sem precedentes, um grupo de pessoas da comunidade científica, a Iberostar, o governo dominicano e algumas ONGs, terminaram o laboratório em um ano, oito meses antes da data prevista no cronograma da empresa. “Esta é uma ciência muito necessária em um local inesperado”, diz a Dra. Morikawa, acrescentando que os corais representam apenas 1% da superfície do planeta, mas detêm cerca de um terço da diversidade biológica mundial.

A Iberostar é – felizmente – mais uma empresa entre as gigantes a se preocupar com o destino da natureza. Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Esso, Votorantim e Suzano vêm mostrando iniciativas para reduzir o impacto no meio ambiente. O multinacional espanhola informa que até 2020, substituirá os plásticos em todos os seus 120 hotéis. Também informa que está preocupada em promover o consumo sustentável de produtos do mar, já tendo feito parcerias com a WWF e FishWise neste sentido. E informa que pretende melhorar a saúde costeira, inclusive com restauração de manguezais na costa da República Dominicana. Além da  própria Morikawa, a equipe contará com especialistas das universidade de Standord e da UC Santa Bárbara.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Iberostar

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