Praça Maciel Pinheiro pede socorro

Já são muitas, as oportunidades em que passo pela Praça Maciel Pinheiro, seja com grupos como Caminhadas Culturais, Caminhadas Domingueiras ou  Projeto Olha! Recife. Ou mesmo quando tenho alguma coisa a resolver ali perto. E a degradação, infelizmente, é cada vez maior.  Basta dizer que apenas uma vez tive oportunidade de ver a fonte funcionando (foto), que é quando ela fica mais bonita. Mas suas ninfas, máscaras e leões esculpidos em pedra estão a seco, sempre. É raro ver a fonte jorrando. Infelizmente.

E infelizmente mesmo. Pois a belíssima fonte foi toda produzida em Lisboa, pelo escultor Antônio Moreira Rato (1818-1903), no século 19. E vejam que coisa interessante: a obra foi financiada por moradores do bairro, coisa não muito comum de se ver hoje em dia. Histórica, ela foi inaugurada em 7 de setembro de 1876, em comemoração pela vitória do Brasil na Guerra do Paraguai. E no século 20, funcionaria como ponto de encontro de judeus, durante a Segunda Guerra, quando os imigrantes  se instalaram no Bairro da Boa Vista.

Eles se radicaram nos arredores da Maciel Pinheiro, não só para residir como porque ali instalaram seus comércios. Bem antes, quando o local se chamava Largo do Aterro, por volta de 1847, havia sido implantado ali “o chamado chafariz imperial, considerado então o melhor do Brasil”, segundo relata  o Guia do Recife – Arquitetura e Paisagismo. A publicação lembra, ainda, que a Praça integra conjunto histórico formado pela Igreja Matriz da Boa Vista  (na esquina da Rua do Hospício coma Imperatriz)  e com a Igreja de Santa Cecília (na esquina da Rua da Conceição).  Ali perto ficam, também, prédios históricos como o Hotel do Parque, o próprio Teatro do Parque e o Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Pernambuco. Infelizmente prédios em estilo eclético belíssimos como é o Hotel do Parque, encontram-se totalmente descaracterizados, e prejudicados por poluição visual.

É uma pena, também, que não haja ali sinalização turística suficiente indicando a importância histórica da Maciel Pinheiro e a importância artística de sua fonte monumental.  A Praça tem falhas no gramado (foto ao lado), bancos caindo aos pedaços, vegetação sem o devido cuidado. Normalmente há muito lixo acumulado em uma de suas esquinas, sendo que o maior volume de descarte é observado justamente ao lado do casarão abandonado onde a escritora Clarice Lispector passou parte de sua infância.

A Maciel Pinheiro, infelizmente, parece mesmo é terra de ninguém. É comum que o gradeado que deveria proteger o seu gramado (hoje inexistente)  e seus bancos estejam sempre com trapos estendidos, já que famílias sem teto  usam a praça como moradia, e aproveitam a água nem sempre limpa da fonte para lavar suas roupas. Alguns até costumam dormir nos jardins (foto à direita).

Comerciários e moradores das redondezas informam, ainda, que é grande o número de ratos e gabirus circulando à noite. Pode, um negócio desse? Se uma cidade não preserva suas praças, como é que fica sua paisagem? E os turistas vão ficar com que impressão? E nós, moradores do Recife, como ficamos, vendo nossa querida cidade assim tão vilipendiada?

Leia também:
Em defesa de nossas praças
Salve as nossas praças
Praças viram terra de ninguém no Recife
Maciel Pinheiro: falta grama e sobra lixo
Lixo e abandono na Casa de Clarice
Cadê o gramado da Praça do Arsenal?
Mobilização nas redes sociais contra o abandono de praças
Praça Dezessete está abandonada
Praça Dom Vital parece ninho de rato
Praça Dom Vital em petição de miséria
Bairro de São José: o Haiti não é aqui
Praça excluída em reforma do Mercado da Madalena
Desolação na Praça Osvaldo Cruz
Praça Tiradentes é exceção da regra
Praça alegre e colorida na Mário Melo

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.