“O Poço da Panela resiste” e faz protesto contra loja de materiais de construção

Uma das comunidades mais organizadas do Recife e que sempre se une para defender os interesses do bairro, moradores do Poço da Panela realizam um protesto a partir das 15h dessa sexta-feira (16). O motivo: não querem a instalação de uma loja do Atacadão dos Presentes na Avenida Dezessete de Agosto, no terreno onde funcionou a Casa de Saúde São José. Ele faz esquina com a estreita Rua Dr Seixas, que nem calçada é.  Acreditam que o impacto será muito grande e que não há infraestrutura viária para um empreendimento daquele porte naquela região da Zona Norte.  Alegam que as prováveis vias de acesso ao Atacadão – Arcos e Luís Guimarães – não comportam maior movimento de veículos. Ambas já estão saturadas pelo trânsito, com o aumento de estabelecimentos comerciais no bairro.

O movimento conta com apoio de pequenos armazéns de construção que funcionam no bairro vizinho de Casa Amarela, que temem que a loja prejudique seus negócios. Eles até cederam tintas para os cartazes que serão utilizados na manifestação. “Nós acreditamos que o Poço da Panela não suporta uma loja tão grande, nem o movimento por ela provocado, com o vai e vem de caminhões de mercadorias”, afirma Bárbara Kreuzig, moradora do Poço. “Queremos preservar o que resta de verde no terreno e que ele seja transformado em uma praça”, diz. “Ainda há árvores centenárias no local”. Já houve outras mobilizações contra utilização comercial do mesmo terreno.

Os moradores do Poço da Panela são contra empreendimentos que possam transtornar a vida bucólica de um dos mais tradicionais bairros do Recife. Logo após a demolição da histórica e bonita Casa de Saúde São José, o Carrefour tentou implantar ali um grande supermercado. Mas a confusão foi tão grande, que a empresa terminou desistindo da empreitada. Hoje o terreno vive cercado por um muro alto e guardado por cães e vigilantes. E um dos lados do terreno dá para uma rua que nem é calçada, justamente a Dr Seixas.

A Prefeitura, que  já concedeu a licença, informa, no entanto, que o empreendimento atende as exigências técnicas e legais. Porém os moradores argumentam que não há nenhum estudo de impacto ambiental, e que o bairro não comporta a iniciativa. O encontro está sendo articulado pelas redes sociais.  Uma reunião está sendo articulada para se rediscutir o problema, e deve ocorrer no dia 21 de agosto, no Salão Paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no Poço.  Na Zona Norte, um outro empreendimento deverá gerar grande impacto, inclusive no trânsito da já conturbada Rua Desembargador Góis Cavalcanti, no Parnamirim: um colégio vem sendo construído, o que deverá gerar um nó na mobilidade daquela região.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Moradores do Poço da Panela

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