Comunidade recupera calçadas em Casa Amarela. Essas cenas vão sumir?

Um dos bairros mais populosos do Recife, Casa Amarela não cansa de dar exemplos de cidadania. O mais recente tem a ver com recuperação de calçadas. Observe a foto acima. E veja, em seguida, como ela ficou na foto abaixo. É que como calçadas no Recife são terra de ninguém, a comunidade daquele bairro da Zona Norte está se organizando para recuperá-las. Foi o que aconteceu com esta, a primeira a ser recuperada por iniciativa  dos moradores do bairro. Ela fica na parte posterior do Edifício Poeme que dá para a Estrada do Arraial, local de grande movimento devido à proximidade com a feira, o centro comercial de Casa Amarela e muitas escolas.

Depois de recuperada pela comunidade, por iniciativa do Icass,essa calçada deixou de ser ponto de descarte de lixo.

 Normalmente esses espaços são esquecidas tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público, deixando os pedestres e cadeirantes entregues à própria sorte. Pela legislação do Recife, as calçadas de condomínios e empresas privadas são de responsabilidade dos proprietários. As demais – de parques, praças, prédios públicos, beira de rio, mar, lagos – ficam sob responsabilidade da Prefeitura. Infelizmente, esta não dá conta das que são de sua obrigação e nem fiscaliza os particulares. Mas na Zona Norte, o Instituto Casa Amarela Saudável e Sustentável (Icass) deu início a ações para cuidar do bairro, incluindo praças e calçadas.

No caso do Edifício Poeme, ele dá a frente para a Rua Irmã Lúcia, onde a calçada é bem cuidada, arborizada e sem buracos. A parte posterior do condomínio (na Estrada do Arraial), no entanto, era irregular, cheia de buracos e terminou virando um depósito de lixo.  Com a intervenção do Icass, arquiteta voluntária e participação do próprio condomínio, o serviço foi feito e custou cerca de R$ 1 mil, valor provavelmente muito menor do que os reparos via órgãos públicos. A recuperação da calçada da Estrada do Arraial é a primeira de uma série que pretende o Projeto Eu amo Casa Amarela, desencadeado pelo Icass.  “Esperamos que as pessoas cuidem dos espaços públicos, mas toda adoção  precisa de pai e mãe”, afirma Vandson Holanda , coordenador do Icass.

No momento, o Icass  prepara uma cartilha, sugerindo áreas que possam ser adotadas pela iniciativa privada, já que o poder público tem se mostrado impotente  para resolver todos os problemas do bairro (e de muitos outros…). Em 2015, Casa Amarela virou notícia, quando os moradores decidiram se juntar e ocupar um terreno degradado, para implantação de área verde, com flores, frutas e horta. Na área, estava planejada uma praça que nunca saiu do papel. Entre os locais que necessitam de adoção, segundo indicações da comunidade ao Icass encontram-se:  terreno baldio na Rua Arnoldo Magalhães (bem pertinho da área ocupada pela horta comunitária),  esquina da rua Astronauta Neil Armstrong com Estrada do Arraial, margem do canal da Avenida José dos Anjos (em trecho entre a Rua Bela Vista e a da Harmonia), Margem do canal do trecho da Avenida Professor José dos Anjos (entre a Rua Arnoldo Magalhães e a Guimarães Peixoto), Margem do canal na Rua Eugênio Samico,  terreno baldio em frente ao Centro de Saúde Professor Mário Ramos, Praça do Trabalho, Praça Joca Leal, esquina da Rua das Ubaias com a Estrada do Encanamento, Horta Souto Maior e Sítio Trindade. Quem se habilita a adotar?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Icass / Divulgação

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