“Jujuba” vira remédio para macacos

Se tem uma comidinha que não dou de jeito nenhum aos saguis que aparecem aqui na minha casa,, no bairro de Apipucos, é tal do produto industrializado: biscoitinho, o iogurte, ração de gato, pipoca nada. Frutas sim, sempre. E bananas, que eles gostam muito, pois já tentei a melancia, cortada em pedacinhos, mas os danadinhos ficaram me fitando de cara feia, como se estivessem cobrando a iguaria preferida. Pois qual não foi minha surpresa ao saber que os macacos do zoológico que funciona no Parque Estadual de Dois Irmãos (Pedi) estão comendo… jujubas. Calma, gente. Não é nenhum vício alimentar, nem guloseima artificial, para esses bichinhos tão simpáticos. Mas sim uma forma engenhosa de medicá-los.

Macaco é bicho esperto. Orientados por biólogos e veterinários, os tratadores botavam os remédios junto dos alimentos. Sabe o que os bichos faziam? Desprezavam o medicamento e só ingeriam as comidinhas gostosas. Agora a farra do desperdício e “malandragem” acabaram. Os bichinhos estão recebendo remédios em forma de jujubas (foto ao lado),   para combater verminoses. É o que informa a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco.

A Semas é responsável pela gestão do Pedi. As jujubas, ops… remédios, são preparadas por uma farmácia local de manipulação. E vão melhorar a absolvição de remédios oferecidos aos macacos-pregos (Sapajus libidinosus) e aos macacos-prego-galegos (Sapajus flavius), protegendo assim os animais de parasitas. Eles também tomam  suplementos de Vitamina C em forma de pastilhas, que ajudam a aumentar a imunidade nesse período mais chuvoso. “Os primatas são animais com senso de paladar, inteligência e grande capacidade de manipulação”, informa Márcio Silva, veterinário do zoológico.

“ Por isso, quando notam a presença de remédio na alimentação, muitas vezes retiram a parte com a medicação ou até mesmo lavam os alimentos removendo o produto. Isso gerava desperdício e pouca efetividade no controle”, conta. Ele observou, no entanto, boa aceitação às pastilhas de vitamina C.  “Percebemos que eles se adaptaram bem ao produto. Então, sugerimos à equipe da farmácia Roval Pet a criação de outro produto que pudesse conter o remédio de verme e parasitas de forma semelhante às pastilhas,, que também fosse bem aceito pelos macacos”. Pois os macacos adoraram. Devem estar imaginando que as pastilhas são os bombons que eles devem ver o público comer na frente das jaulas deles.

Segundo o veterinário do Parque, os primatas não apresentavam sinais clínicos de doença. Contudo, os macacos-pregos-galegos estão na lista de ameaçados de extinção. É, pois, é fundamental  que se tenha cuidados redobrados no controle de parasitas, atuando com prevenção. “Para mim, foi muito gratificante saber que agora os animais vão tomar a medicação de uma forma prazerosa”, frisou Márcio Silva, lembrando que aqueles primatas estão entre as espécies mais difíceis de se administrar remédios, “por conta de sua capacidade cognitiva e senso de paladar”. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, responsável pela administração do Parque de Dois Irmãos, diz que o corpo técnico está avaliando o uso das jujubas terapêuticas com outros animais, como quatis e guaxinins. Ao todo, o zoológico possui cerca de 450 animais, entre mamíferos, aves e répteis.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Semas / Divulgação 

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