Calçadas cidadãs na Jaqueira e Parnamirim: todas deviam ser assim

Como ando muito a pé, costumo observar a situação das calçadas do Recife, pois  – pelo menos  quatro vezes – fui vítima delas,  com danos sérios, que já incluíram uma fratura na fíbula e um lesionamento no tornozelo. Nessa brincadeira, já foram quatro imobilizações de pé, com toda a dor, chateação, tempo de espera em fisioterapia, paciência para a recuperação. E por aí vai.  Dos quatro acidentes, três foram na atual gestão. Aqui no #OxeRecife, a gente sempre mostra os problemas que dificultam a mobilidade e a acessibilidade. Mas também chamamos atenção para os bons exemplos. São o que nós chamamos “calçadas cidadãs”,  como esta (foto acima) na Avenida Parnamirim, na Jaqueira, Zona Norte do Recife.

Boa calçada, no Recife, é coisa rara, ao longo de sucessivas gestões. Mas, parece, que na atual, a situação piora. Tirando as que sofreram requalificação – como as da Avenida Rui Barbosa e uma parte das da Avenida Norte – o que a gente vê é muito risco, como o que da foto à esquerda, fato comum com essas tampas duplas em concreto de galerias pluviais.

Essa  com tampa dupla fica na Av. Dezessete de Agosto, Casa Forte. Vejam só que perigo! A calçada fica em um estabelecimento particular. Mas a gestão de galerias pluviais é da Prefeitura. E em caso de acidente por conta de descalabros como os da foto, quem deve ser responsabilizado? O dono do imóvel ou o poder público, que não cuidou das tampas das galerias pluviais do Recife como deveria? Que dizem os advogados? E os Direitos Urbanos?  Já vi um terrível acidente por conta dessas tampas duplas mal conservadas. O pedestre precisou ser socorrido pelo Samu.

Sabemos que em imóveis particulares, a lei estabelece aos proprietários a responsabilidade pelas calçadas. Porém, ao que parece, a fiscalização deixa a desejar, pois o que nelas se vê é todo tipo de armadilha: buracos, rachaduras, desníveis, tampas afastadas, pedras portuguesas soltas. Mas pelo que observo, o poder público municipal  também não dá manutenção adequada nem mesmo às calçadas de sua alçada, aquelas que ficam em praças, beira de rio, de lâminas de água, na orla de Boa Viagem, as dos mercados públicos,  de repartições. Dêm só uma voltinha e vejam a quantas andam as calçadas em volta do Açude de Apipucos, em muitos trechos ao lado do Rio Capibaribe e em volta do Mercado São José e do da Madalena, só para lembrar alguns maus exemplos. As do Mercado da Madalena, breve falarei delas aqui. As do Mercado de São José, já cansei até de falar.

Já entre algumas iniciativas privadas, há  exemplos das chamadas gentilezas urbanas, como esta calçada na Estrada do Encanamento, da Construtora Haut (foto ao lado), que tem até sombra de árvore e banquinho.  Muito interessante.  E aquela lá de cima, do Edifício Beach Class Jaqueira (Moura Dubeux) não dá chance ao pedestre de correr o risco de acidente. Por que todas as outras não são assim?

Nós, pedestres, exigimos calçadas cidadãs para o Recife. Tanto em áreas mantidas por empreendimentos privados, quanto naquelas sob responsabilidade do poder público. Se a gente não tem direito nem de andar, vai sobrar o quê? Esperamos que o poder público cuide muito bem das suas e que a iniciativa privada faça o mesmo, pontilhando a cidade de gentilezas urbanas como essa daí, acima à direita, que até banquinho tem. E com sombra de árvore!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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