Cartas inéditas entre Osman Lins e Hermilo Borba filho chegam ao palco

Com lançamento de livro programado para agosto pela Cepe (Companhia Editora de Pernambuco), as inéditas cartas trocadas por Hermilo Borba Filho e Osman Lins  ao longo de onze anos antecipam-se à publicação. E chegam o palco no sábado (27) e no domingo (28) no Teatro Hermilo Borba Filho, que fica no Bairro do Recife.  A longa correspondência entre os dois escritores – e grandes amigos – ocorreu entre 1965 e 1976 e surpreendem pela atualidade, décadas depois.

Nas cartas, ambos falam de política, amigos, família, teatro e o amor pela arte da escrita.  A conversa “epistolar” – como Osman costumava definir  a convivência entre os dois – ocorreu devido à distância: entre as décadas de 60 e 70 do século passado, Hermilo residia no Recife, enquanto Osman morava em São Paulo.  O teor da correspondência foi transformado em espetáculo teatral, dirigido pelo pernambucano Luiz Manuel, integrante do Coletivo Caverna. O espetáculo Cartas encerra a programação da 17ª Semana Hermilo, que teve início na terça-feira. E tomara que volte depois a cartaz porque, com certeza, o diálogo entre os dois escritores têm muito o que nos ensinar. As apresentações de sábado e domingo são gratuitas, sendo que os ingressos serão distribuídos na portaria do teatro. Portanto, é bom chegar uma hora antes.

De acordo com Luiz Manuel, a ideia de montar o espetáculo surgiu assim que ele soube da existência das cartas, no fim de 2018. A partir daí, passou a ler artigos do professor Nelson Luís Barbosa, que produziu pesquisa pela Universidade São Paulo (USP) a respeito da amizade os dois amigos escritores. Para o diretor, a correspondência induz a uma reflexão muito atual sobre a realidade do Brasil e da cultura. “É como se estivessem falando exclusivamente sobre o presente, sobre fascismo, ditadura, do sacrifício em ser artista, da dificuldade de se viver desse ofício”.

E acrescenta Luiz Manuel: “é uma espécie de prova documental de que a história não é linear. Existe uma circularidade, um eterno retorno”. A julgar pelo que acontece hoje, no Brasil, Cartas é de uma atualidade gritante. A atualidade, reconhece o diretor, foi o ponto que mais o impactou, refletindo também na concepção final da peça. A encenação se desenvolve em vários quadros, classificados pelo diretor como “socos”.

O diretor explica que  “uma coisa vai puxando a outra, como  a fluidez de uma carta, a abertura do coração de alguém que quer falar para um amigo ou mesmo para alguém que não se conheça tanto, mas para a qual você tem a necessidade de mandar uma mensagem”. Cartas conquistou o prêmio de pesquisa O Aprendiz em Cena, da Prefeitura do Recife, concedido a um diretor iniciante para trabalhar com um elenco experiente. No caso, os atores Claudio Lira, Fabiana Pirro e Paulo de Pontes (foto acima, à esquerda). A iluminação é de João Guilherme, e a assistência de direção é de Gabriel de Godoy.  Alexandre Salomão e Lara Boone assinam o desenho de som, e a produção é de Naruna Freitas. O Teatro Mamulengo, Jailson Marcos e Giselle Cribari são parceiros do projeto.

Leia também:
Marcha Fúnebre de Osman Lins tem exibição no Arquivo Público

O mergulho  na obra de Osman Lins
O dia que esqueci que sou repórter
Só dá mulher em Lisbela e o Prisioneiro
Lisbela e o Prisioneiro está de volta
Cobogó das Artes tem curso de férias
Recife Literário com atitude  
O lado editor do escritor Sidney Rocha

Serviço
17ª Semana Hermilo
Espetáculo “Cartas”, dirigido por Luiz Manuel
Estreia: Sábado (27) e domingo (28), às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Entrada franca (ingressos distribuídos uma hora antes, na bilheteria do teatro)
Informações: (81) 3355-3321/ 3321 – (81) 99226-7221 (Whatsapp) ou centroapolohermilo.pauta@gmail.com

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Coletivo Caverna/ Divulgação

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.