Estudante de escola pública mostra trabalho sobre sururu em Londres

Muito bacana a ideia do estudante Lucas Vinícius, 16 anos, que acaba de viajar para a Europa, para participar da 61ª edição do London International Youth Science Forum, onde ele apresenta o trabalho Reuso da casca de sururu de forma sustentável em Brasília Teimosa. O bairro, como se sabe, tem grande parte de sua comunidade vivendo da pesca, incluindo a do molusco que, depois de preparado para comercialização e consumo, tem suas cascas descartadas no meio ambiente. O trabalho de Lucas mostra como aproveitar as cascas, fabricando peças para uso doméstico. Com isso, o estudante da rede pública tornou-se o único do Nordeste a participar da edição 2019 do evento estudantil residencial, que é realizado no Imperial College London e The Royal Geographical Society, entre os dias 24 de julho e 7 de agosto.

A ideia propõe a reutilização dessas cascas no desenvolvimento de blocos, objetos decorativos e jogos educativos, à base da mistura do sururu triturado com gesso. Os objetos podem gerar renda extra para as marisqueiras. Assim, a reutilização irá não só promover a diminuição de poluentes na Bacia do Pina – onde fica Brasília Teimosa –  mas também gerar uma melhoria na qualidade de vida das marisqueiras com essa nova fonte de renda. Lucas viajou na terça coma professora e orientadora do projeto, Risoneide Nunes.

O estudante estuda há dois anos na Escola Estadual de Referência João Bezerra, que fica em Brasília Teimosa, área popular da Zona Sul do Recife. O trabalho é desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal Rural de Pernambuco. Todos os anos, alunos buscam problemas reais na comunidade, e criam meios de solucioná-los. O evento em Londres reúne 500 alunos, com idades ente 16 e 21, de 70 países.  “A gente que é de comunidade pobre nunca imagina uma coisa dessa, com essa idade e ainda mais de escola pública, de ter a oportunidade de viajar para outro continente. Eu espero que a gente consiga um bom reconhecimento não só dos outros países, mas, principalmente, do Brasil, por ser uma questão regional. A nossa intenção não é visar apenas o dinheiro, mas o benefício que esse projeto pode trazer para o meio ambiente”, frisou Lucas. No ano passado, o estudante apresentou o trabalho na 24ª edição do Ciência Jovem. Em abril deste ano, o jovem participou do Encontro Intercolegial e Latino-americano de Projetos Produtivos, Ciência, Tecnologia e Inovação, no Equador, sendo também o único estudante da Região Nordeste.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Secretaria de Educação de Pernambuco

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