Qual vale mais, a vida ou um poste?

Ia à Fenearte no último domingo, quando me deparei com uma cena grotesca, mas muito comum no Recife. Passava pela Rua Professor Luís Correia de Brito, em Campo Grande, quando vi esse rapaz ir para o asfalto, disputando espaço com os automóveis. Adivinhem o motivo: a calçada, por incrível que pareça está toda tomada por um gelo baiano, como são chamados esses monstros de concreto que só embrutecem nossa cidade. E que, como se observa, começam a ocupar o passeio público. Aliás, começam, não. Pois já tomam o espaço do pedestre há muito tempo.

Aí, cabe uma indagação: quem controla isso? A Emlurb, a Urb, a Cttu, a Dircom, a Semoc? Pelo visto, ninguém.  Não se admite que o direito do pedestre seja usurpado dessa maneira, sem que nenhuma autoridade tome providência. Que bagaceira é essa? E esses blocos obstruem o passeio público com que objetivo? Proteger os postes? Tenho visto cenas como essas com muita frequência. Em minhas andanças solitárias, ou com grupos como o Caminhadas Domingueiras, o Caminhadas Culturais, o Andarapé, o Olha! Recife ou os MeninXs na Rua.

Quem é o gestor que dá prioridade aos postes, colocando as pessoas em segundo plano? Quem é o cidadão que paga imposto, o pedestre ou o poste? Sinceramente… Essas cenas, que constituem uma total falta de respeito à cidadania, são cada dia mais comuns. Terminam se banalizando. Mas é preciso reclamar, chamar a atenção.   Colhi algumas  imagens para mostrar o tamanho do absurdo.  Ausência completa das tão necessárias gentilezas urbanas. Onde estão, afinal? Uma cidade que não respeita, sequer, o direito de ir e vir do cidadão, tão elementar, vai respeitar mais o quê? Por que é que os gelos baianos estão subindo as calçadas? Alguém sabe responder?

Observem só, na galeria de fotos, algumas cenas que colhi, durante minhas andanças por vários bairros, nas ruas do Recife. É um absurdo ou não é?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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