O “turismo” compulsório dos pássaros

Vejam só o casalzinho da foto. Um amor lindo, não é? Apaixonados, nem parece que os “pombinhos” tinham acabado de fazer um turismo forçado. Como os dois, 233 pássaros ao invés de voarem pelos céus das matas, embarcaram nesta semana em ambiente fechado de um avião. Mas mesmo assim, a viagem forçada não deixa de ser uma notícia boa: Pernambuco acaba de registar o maior repatriamento de animais silvestres de sua história. É que a Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh) recebeu 235 pássaros  na última quinta-feira. São aves de diversas espécies que, em sua grande maioria, foram resgatadas em ações de combate ao tráfico de animais no Sudeste.

Após o estresse da viagem  ( voo Congonhas/Recife de três horas e 15 minutos)  e acomodados em caixas de madeira com frutas – os pássaros estão agora em grandes viveiros no  Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), onde ficarão por pelo menos um mês. Mesmo em viveiros, os periquitos já estão comemorando, pelo que se vê. Depois, todos voltarão à natureza em soltura no Sertão do estado. De onde – como o #OxeRecife gosta de insistir – nunca deveriam ter saído. O repatriamento é o segundo recebido pelo Cetas, em 2019.

Todas as aves são do Bioma Caatinga e estavam sendo acompanhadas nos centros de Triagem paulistas. Graças a Deus, pelo menos o setor de repatriamento e cuidado com aves vítimas de tráfico vem funcionando bem direitinho, nesses tempos de tantos golpes contra a natureza. Vale lembrar, no entanto, que ações como essas de repatriamento vêm ocorrendo entre estados, e o governo federal (felizmente) não pode meter o bedelho para atrapalhar.

Vejam só os fofinhos que fizeram o turismo “compulsório” entre Pernambuco e São Paulo. Foram: 119 galos-de-campina (Paroaria dominica, espécie bastante visada pelo tráfico), 68 papa-capins (Sporophila nigricollis), 25 concrizes (Icterus jamacaii), 21 patativas (Sporophila albogularis), 4 cancões (Cyanocorax cyanopogon), 3 cravinas (Coryphospingus pileatus), 3 sabiás-da-mata (Turdus fumigatus), dois periquitos-da-caatinga (Eupsittula cactorum) e um pintasilva-do-nordeste (Spinus yarrellii), esta uma ave ameaçada de extinção.  Mesmo com a estafante viagem, enfrentando alteração de temperatura (9 graus no momento da acomodação nos caixotes em São Paulo e 27 graus no desembarque no Recife), a maioria demonstra boa disposição. São verdadeiros heróis! E viva a natureza!

Vejam alguns dos nossos “turistas” forçados:

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Lu Rocha/ Semas – PE

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