Renata: “Na terceira margem do agora”

Jornalista, bibliotecária, mestra em ciência da informação, Renata Santana escreve desde criança. Em 2000, aos doze anos, ganhava o seu primeiro prêmio literário, em concurso de poesia infantil. Aos treze, estreava no teatro, declamando Camões, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade. Aos 20, entrava para o time de jornalistas e apresentadores do programa Café Colombo, sobre livros e ideias. Em uma das entrevistas, foi  convidada pelo Coletivo Literário Nós Pós, para recitar poemas autorais em um evento do grupo. Desde então, não parou de declamar.

Aos 22, fundou o coletivo Dremelgas Literárias que organizava recitais em espaços e bibliotecas públicas. Passou a ser convidada a dizer suas poesias e crônicas urbanas em lugares inusitados – como o hall do Hospital das Clínicas do Recife (Projeto Mais Leitura – UFPE) ou o refeitório do Sesc Santa Rita. Participou das antologias No entanto: dissonâncias (Castanha Mecânica), Coisas de Mulher (Mariposa Cartonera), Estados em Poesia (Vida Secreta Publicações) e Haikais, Poemínimos e Senryus (Fundação de Cultura Cidade do Recife).

Nessa sexta, 12,  a pernambucana lança o livro Na terceira margem do agora. Segundo ela, um livro de narrativa memorialista, onde cada texto saiu de um lugar de memória e depois ganhou ficção, mas tendo sempre como cenário real a infância vivida num apartamento do conjunto habitacional Ignês Andreazza (Inocoop), subúrbio do Recife, na década de 90.  Quando inaugurado, dizia-se ser o maior conjunto habitacional da América Latina. Esse lugar de memória de onde parte a ficção pode ser um fato, como o dia em que um famoso apresentador de TV chega ao bairro com um caminhão de prêmios.

Ou apenas uma sensação:  o prazer em ouvir um palavrão, a primeira culpa materna, a disputa por visibilidade ou a sublimação em aceitar ser amante de um travesseiro diante da proibição do desejo de amar 30 garotos de uma vez. O lançamento de Na terceira margem do agora também inicia um circuito de debates sobre as características fugidias e inconclusas da memória como material para criação literária ficcional que a autora pretende fazer neste ano de 2019, ampliando com isso, inclusive, o debate sobre esse gênero literário em Pernambuco. A publicação tem assinatura gráfica da editora independente Castanha Mecânica, do poeta e editor Fred Caju que também assina o livro artesanal Eu me lembro, lançado em junho pelo jovem criadora.

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A designer dessa pilha de livros 

Serviço:
O quê: Lançamento de “Na terceira margem do agora” (Castanha Mecânica)
Recife – Aniversário de 1 ano da Mopi, a Mostra de Publicações Independentes
Quando: Dia 12/07/19
Horário: 19h 
Local: Ceça (Av. Manoel Borba, n. 339, Boa Vista) 
Sarau com: Cida Pedrosa, Enoo Miranda, Ezter Liu, Renata Santana, Flávia Gomes, Susana Morais

Garanhuns – 29° Festival de Inverno de Garanhuns
Dia 22/07/19 Hora: 16h
Local: Praça da Palavra
Debate com o escritor Stefanni Marion (SP)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação   

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