Ambientalistas preocupados: só restam 1.300 muriquis-do-sul na natureza

Maior primata das Américas, o muriqui-do-sul (ou mono-carvoeiro) corre risco de extinção, pois acredita-se que os animais da espécie não totalizem mais de 1.300 indivíduos na natureza. Uma parceria entre o Instituto Pró-Muriqui e o Ecofoturo permitiu que pesquisadores possam estudar a rotina e os hábitos desses mamíferos, para estabelecer estratégias quando ao manejo, conservação da espécie, criação de corredores ecológicos e restauração do habitat. As pesquisas ocorrem no Parque das Neblinas, que se espalha pelos municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, a 115 quilômetros da capital paulista.

O Parque das Neblinas é reconhecido pelo Programa Homem e Biosfera da Unesco como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.  Ele tem 6 mil hectares, com ocorrência já registrada de cerca de 1250 espécies, entre animais e vegetais. São 244  de aves, 74  de anfíbios e répteis, 53 de  mamíferos, 35 de borboletas. Também já foram catalogados 531 vegetais. Entre o material catalogado, três eram inéditas para a ciência.  E 23 (sendo treze da flora e dez da fauna) estão em situação de vulnerabilidade ou em perigo.

O Parque das Neblinas é uma reserva ambiental da Suzano Papel e Celulose. E é gerido pelo Ecofuturo, o braço ambiental da indústria. No local, são desenvolvidas atividades de ecoturismo, pesquisa científica, educação ambiental, manejo e restauração florestal e participação comunitária.  No caso dos muriquis, há campanhas periódicas para monitorar a população e a composição dos grupos por sexo e idade, determinando-se o território por eles ocupado, o que  facilitará os planos para conservação da espécie. As campanhas para pesquisa são compostas por seis integrantes: três assistentes de campo e três técnicos de nível superior, sendo dois mestrandos e um mestre. Até hoje, já foram realizadas três atividades de campo no Parque, nos meses de novembro e dezembro de 2018 e em fevereiro deste ano, cada uma delas com duração de quatro dias. Mais três saídas estão planejadas ainda para 2019.  Na reserva, os primatas vivem em espaços isolados e de difícil acesso. Eles se alimentam de folhas, frutos, sementes, casca de árvores, cipós, orquídeas, bromélias, entre outros, e costumam viver em grupos.

“Além do muriqui, os monitoramentos realizados no Parque das Neblinas  indicaram a presença de outras três espécies de macacos, o que evidencia a importância estratégica da reserva na proteção dos primatas ainda existentes no território paulista”, explica Paulo Groke, Diretor Superintendente do Instituto Ecofuturo. Os resultados das pesquisas serão publicados em jornais científicos e servirão de base de comparação para as diferentes populações de muriquis do estado de São Paulo. Anteriormente, o Parque também foi território de atuação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do muriqui, coordenado pelo ICMBio, com o objetivo de ampliar o conhecimento e a proteção da espécie, e tentar reverter seu grau de ameaça de extinção. Muito bom que grandes corporações – como  a Suzano, a Nestlé, a Votorantim, a Coca-Cola – entre outras, estejam dedicando parte dos seus lucros à preservação do meio ambiente. Enquanto  isso, o capitalismo selvagem praticado por algumas outras acaba em tragédias como a de Brumadinho.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação/ Ecofuturo / Suzano

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