Caminhadas Culturais para crianças

Depois de um tour voltado para cadeirantes, no último final de semana, o Grupo Caminhadas Culturais inovou mais uma vez: no sábado, realizou um passeio exclusivamente dedicado às crianças. O tema foi A História de Maurício de Nassau, o conde europeu que desembarcou no Recife em 1637, cidade em que ficaria sob o domínio holandês até 1654. O início do roteiro foi no Marco Zero, onde houve descrição de como era o Bairro do Recife no século 17, assim como da sua evolução urbana ao longo da história.

De lá, o grupo de crianças seguiu para a Ponte Maurício de Nassau, cuja primeira inauguração ocorreu em 1644, e que ficou famosa por conta da história do Boi Voador, quando o Conde cobrou pedágio para fazer um boi “voar”, com o objetivo de arrecadar dinheiro para custear a obra. Só não disse que o boi era um balão, o que fez a “pegadinha” lhe render um bom dinheiro. Descritas as suas mudanças até a edificação atual, da Ponte Maurício de Nassau, a meninada seguiu para a Rua do Imperador e foi depois à Praça da República, onde Nassau teria chegado a construir o Castelo de Friburgo com duas torres. E, em cujas imediações, foi erguido o Forte Ernesto, em homenagem ao irmão que morreu em batalha, na localidade de Porto Calvo (que pertencia Pernambuco, mas que hoje é território alagoano).

Durante o passeio, as crianças foram informadas das realizações do período flamengo. Na Praça da República, no bairro de Santo Antônio, visitaram a estátua de Maurício de Nassau, já que era o personagem principal do tour. Mas também receberam informações sobre outros  prédios de valor histórico ou arquitetônico ali localizados: Palácio do Campo das Princesas (sede do governo), Teatro Santa Isabel e Palácio da Justiça. O  passeio terminou  com confraternização em volta do famoso baobá da Praça da República, árvore de origem africana e que é uma das principais atrações do Bairro de Santo Antônio. Como há lendas que indicam que aquela árvore teria inspirado Saint Exupéry (1900-1944) a inserir a espécie em O Pequeno Príncipe , o passeio terminou com cada criança recebendo um exemplar do livro mais famoso daquele escritor, que – à época – era piloto da Aeropostale e teria visitado o Nordeste a trabalho. Criador do Grupo Caminhadas Culturais e coordenador do tour infantil, Stenberg Lima informou que teria sido no Recife que o escritor tomara conhecimento sobre a história da árvore, tão sagrada para os africanos e cada vez mais querida pelos pernambucanos.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: José Américo/ Cortesia/ Caminhadas Culturais

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